“Precisamos preservar o dom da comunicação”, afirma o Papa no Dia Mundial das Comunicações Sociais
Pontífice convida comunicadores, educadores e a sociedade a orientar a inteligência artificial para o bem comum, preservando a identidade, a liberdade e a criatividade humanas.
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 26/01/2026 18:21 • Atualizado 26/01/2026 18:24
Igreja

Na mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão XIV fez um forte apelo à defesa da comunicação como expressão essencial da dignidade da pessoa humana, especialmente diante dos desafios trazidos pela tecnologia digital e pela inteligência artificial.

“Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”, afirmou o Pontífice logo no início da mensagem.

O Papa recorda que o rosto e a voz são traços únicos e sagrados, pois manifestam a identidade irrepetível de cada pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus. Para Leão XIV, preservar rostos e vozes humanas significa preservar o reflexo indelével do amor de Deus e reconhecer que cada pessoa possui uma vocação única, que se expressa justamente na comunicação com os outros.

Tecnologia e relações humanas

Ao refletir sobre os impactos da inteligência artificial, o Santo Padre alerta que, se não for bem orientada, a tecnologia pode alterar profundamente os pilares da civilização humana. Sistemas capazes de simular vozes, rostos, emoções e relações não afetam apenas os ecossistemas informativos, mas atingem o núcleo da comunicação: o encontro entre pessoas humanas.

Para o Papa, o desafio atual não é apenas tecnológico, mas antropológico. “Preservar rostos e vozes significa, em última instância, preservar a nós mesmos”, afirmou, destacando a necessidade de acolher as oportunidades da inovação digital com discernimento, sem ignorar seus riscos e opacidades.

O risco de silenciar o pensamento humano

Leão XIV também chamou atenção para os algoritmos que privilegiam reações rápidas e emocionais, em detrimento da reflexão, da escuta e do pensamento crítico. Segundo ele, essa dinâmica pode favorecer a polarização social e enfraquecer a capacidade humana de compreender significados, distinguir verdade e aparência, além de comprometer as capacidades cognitivas e comunicativas a longo prazo.

O Pontífice alertou ainda para uma confiança excessivamente acrítica na inteligência artificial, tratada como uma espécie de “oráculo” capaz de responder a tudo, o que pode levar ao empobrecimento do pensamento humano e à renúncia do processo criativo.

Simulação de relações e riscos sociais

Outro ponto destacado na mensagem é a dificuldade crescente de distinguir interações humanas de interações com sistemas automatizados, como chatbots e influenciadores virtuais. O Papa advertiu que a simulação de afetividade por parte dessas tecnologias pode ser enganosa, sobretudo para pessoas mais vulneráveis, com impactos diretos na esfera emocional e social.

Segundo Leão XIV, uma tecnologia que explora a necessidade humana de relacionamento pode ferir não apenas os indivíduos, mas também o tecido social, cultural e político das sociedades.

Responsabilidade, cooperação e educação

Diante desse cenário, o Papa propõe três pilares fundamentais para orientar o desenvolvimento tecnológico: responsabilidade, cooperação e educação. Ele destacou a importância da transparência, da proteção do trabalho jornalístico e criativo, do direito à informação de qualidade e da participação conjunta de diferentes setores da sociedade na construção de uma cidadania digital consciente.

No campo da educação, Leão XIV reforçou a urgência de ampliar a formação crítica das pessoas, incluindo a alfabetização em mídia e inteligência artificial. O Pontífice defendeu a introdução do conceito de MAIL (Media and Artificial Intelligence Literacy) nos sistemas educativos, como forma de capacitar as pessoas a utilizarem a tecnologia como ferramenta, e não como substituta da inteligência e da responsabilidade humanas.

Comunicação a serviço da dignidade

Ao concluir a mensagem, o Papa reiterou seu apelo: “Precisamos que o rosto e a voz voltem a significar pessoa”. Para ele, somente uma comunicação enraizada na verdade, na responsabilidade e no cuidado com o outro poderá garantir que a inovação tecnológica esteja verdadeiramente a serviço do bem comum e da dignidade humana.

Com informações Vatican Media

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