A delegação da Santa Sé nas Organização das Nações Unidas alertou para os riscos de preconceitos raciais presentes em sistemas de inteligência artificial e destacou a necessidade de fortalecer a educação digital para enfrentar esse desafio.
A intervenção ocorreu durante a reunião comemorativa dos 60 anos do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, realizada em Nova York na última segunda-feira (23).
Discriminação também no ambiente digital
Na declaração apresentada, a Santa Sé recordou que a discriminação racial continua sendo uma realidade persistente no mundo contemporâneo e pode manifestar-se também no ambiente digital.
Segundo o texto, sistemas de inteligência artificial, quando desenvolvidos a partir de dados marcados por estereótipos sociais, podem reproduzir preconceitos e influenciar percepções de forma injusta, afetando a dignidade das pessoas.
A reflexão retoma aspectos da mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que chama atenção para a responsabilidade ética no desenvolvimento e no uso das tecnologias digitais.
Educar para uma consciência crítica
Diante desse cenário, a delegação vaticana destacou a importância de ampliar os esforços educacionais, especialmente no campo da alfabetização digital, para ajudar as pessoas a compreender como os algoritmos podem influenciar decisões e percepções.
Segundo o posicionamento da Santa Sé, formar uma consciência crítica diante das tecnologias é essencial para garantir que os avanços científicos estejam a serviço do bem comum e do respeito à dignidade humana.
A dignidade de cada pessoa
A declaração também reafirma a condenação firme da Igreja ao racismo e à discriminação racial em todas as suas formas.
Sessenta anos após a criação do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o documento recorda que essas formas de injustiça continuam a existir, muitas vezes sustentadas pela falta de reconhecimento da dignidade intrínseca de cada pessoa.
Tecnologia a serviço do bem comum
Ao concluir, a Santa Sé recorda que políticas públicas e práticas sociais devem ser orientadas pelo reconhecimento da igualdade fundamental entre todos os seres humanos.
Inspirando-se nas palavras do Papa, o texto reafirma que cada pessoa é criada à imagem de Deus e chamada ao amor. Traduzir essa convicção em políticas e práticas concretas, afirma a delegação, pode ajudar a enfraquecer as raízes do racismo e fortalecer os laços da família humana.
Com informações Vatican News