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Papa Leão XIV reafirma: Igreja não é fim em si mesma, mas sinal vivo do Reino que está por vir
Na Audiência Geral desta quarta-feira (6), na Praça de São Pedro, Pontífice retoma a Lumen Gentium e convida os fiéis a redescobrirem a Igreja como peregrina, marcada pela esperança, pela conversão constante e pelo compromisso com os que sofrem.
Por Murilo Galhardo
Publicado em 06/05/2026 11:30 • Atualizado 06/05/2026 14:41
Papa
Catequese desta quarta-feira | Foto: Vatican Media

Na manhã desta quarta-feira, 6 de maio de 2026, a Praça de São Pedro foi novamente palco de um encontro marcado pela reflexão teológica e pelo chamado pastoral. Diante de milhares de peregrinos de diversas partes do mundo, o Papa Leão XIV conduziu a Audiência Geral com uma catequese centrada na Constituição Dogmática Lumen Gentium, um dos principais documentos do Concílio Vaticano II, aprofundando o tema da Igreja como realidade em caminho rumo à plenitude do Reino de Deus.

Em um discurso de forte densidade espiritual, o Pontífice destacou a dimensão escatológica da Igreja, frequentemente negligenciada na vivência cotidiana da fé. Segundo ele, a comunidade cristã não pode ser compreendida apenas a partir de suas estruturas visíveis ou de sua atuação histórica imediata, mas deve ser reconhecida como um povo em peregrinação, orientado para a pátria celeste.

“A Igreja, nesta história terrena, caminha sempre rumo ao seu fim último, que é a pátria celeste.”

Ao retomar o ensinamento conciliar, o Papa explicou que a Igreja vive entre dois tempos: o “já” do Reino inaugurado por Cristo e o “ainda não” de sua plena realização. Essa tensão, longe de gerar insegurança, constitui o fundamento da esperança cristã. Trata-se de uma perspectiva que convida os fiéis a não absolutizarem as realidades temporais, nem se deixarem dominar pelo desânimo diante das crises, mas a manterem o olhar fixo na ação de Deus na história. Nesse sentido, o Pontífice sublinhou que os cristãos são chamados a viver guiados pela promessa daquele que “faz novas todas as coisas”, mantendo viva a confiança na renovação definitiva.

Outro ponto central da catequese foi a natureza da Igreja como sinal e instrumento do Reino de Deus. O Papa recordou que a Igreja é definida pela Lumen Gentium como “sacramento universal da salvação”, expressão que indica sua missão de tornar visível e operante, na história, a graça divina destinada a toda a humanidade. No entanto, ele fez questão de esclarecer que a Igreja não se identifica plenamente com o Reino, sendo antes sua semente e início.

“A Igreja é o ‘sacramento universal da salvação’, isto é, o sinal e o instrumento daquela plenitude de vida e paz prometida por Deus.”

Essa compreensão impede qualquer fechamento autorreferencial e reforça o caráter missionário da comunidade cristã, cuja finalidade é conduzir todos a Cristo.

A reflexão também destacou a dimensão concreta do compromisso cristão com as realidades humanas. Longe de uma espiritualidade alienante, o Papa insistiu que a Igreja, ao mesmo tempo em que aponta para o futuro definitivo, deve agir com clareza diante das injustiças do presente. Ele afirmou que a missão eclesial inclui a denúncia de tudo aquilo que fere a dignidade humana e impede o florescimento da vida, bem como a defesa dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra.

“Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada; são chamadas à conversão contínua, à renovação de suas formas e à reforma de suas estruturas.”

Em tom igualmente firme, o Pontífice reforçou a necessidade de constante renovação dentro da própria Igreja, reconhecendo a fragilidade humana presente em suas estruturas e convidando a uma atitude permanente de conversão.

A catequese também abriu espaço para uma reflexão sobre a comunhão entre os fiéis vivos e aqueles que já partiram. O Papa recordou que todos os cristãos formam uma única Igreja, unida em Cristo, numa comunhão que ultrapassa as barreiras do tempo e da morte. Essa unidade se expressa de maneira especial na liturgia e na oração pelos falecidos, fortalecendo a caminhada dos que ainda peregrinam e aprofundando a adoração a Deus.

 

Ao concluir sua reflexão, o Papa Leão XIV reforçou que a Igreja é guardiã de uma esperança que não decepciona, capaz de iluminar os caminhos da humanidade mesmo em tempos marcados por incertezas e sofrimentos. A Audiência Geral foi encerrada com a recitação do Pai-Nosso e a concessão da bênção apostólica, deixando aos fiéis um convite claro: viver a fé com os olhos voltados para o Reino de Deus, sem perder o compromisso com a transformação do mundo presente.

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