Esperar por Nossa Senhora de Nazaré é também levar para a rua aquilo que se guarda por dentro. Um agradecimento, uma preocupação, a lembrança de alguém. Diante da passagem da Imagem Peregrina, esses sentimentos encontram expressão nas mãos erguidas, no sinal da cruz e nas lágrimas de quem aguardou para vê-la de perto.
Nesta sexta-feira, 9 de outubro, famílias se reuniram diante de suas casas e devotos esperaram durante horas pelo Traslado para Ananindeua e Marituba. Cartazes, bandeiras e homenagens acompanharam o cortejo pela Região Metropolitana de Belém. A festa se aproximou dos bairros e da vida cotidiana, dando à espera um momento de encontro.
A imagem passa. A oração, muitas vezes, continua.
É nessa experiência que a sexta-feira do Círio encontra seu sentido: antes da grande procissão de domingo, a devoção já ocupa as ruas, aproxima famílias e faz do caminho um lugar de esperança.
Uma jornada que se mede também em afeto
O Traslado percorreu aproximadamente 53 quilômetros, da Basílica Santuário de Nazaré até a Igreja Matriz de Ananindeua, passando por Marituba. Segundo a cobertura do Roma News, a saída ocorreu por volta das 7h47, e a chegada, às 18h40. Foram quase onze horas de percurso.
Os horários registram o começo e o fim da romaria. Para quem estava à espera, porém, o momento mais importante podia durar apenas alguns segundos: o instante de reconhecer a berlinda se aproximando e dirigir a ela o olhar.
Realizado desde 1992, o Traslado aproxima a Imagem Peregrina das comunidades da região metropolitana. Moradores, escolas, instituições e empresas participam das homenagens, fazendo dessa romaria uma experiência de devoção compartilhada ao longo do caminho.
A rua por onde se passa todos os dias ganha uma lembrança diferente. A porta de casa se torna lugar de acolhida. A vizinhança se reúne para esperar. A fé encontra espaço onde a vida acontece.
Cada homenagem carrega uma história
Na BR-316, os preparativos anunciaram a expectativa pela chegada do cortejo. No Viaduto do Coqueiro, balões e papéis picados integraram as homenagens organizadas para receber Nossa Senhora.
Por volta das 11h30, a Imagem Peregrina foi recebida na Universidade da Amazônia, no campus Ananindeua, em uma das paradas do percurso.
Mais tarde, aproximadamente às 13h40, uma multidão acompanhou a passagem pela Estrada da Providência. Entre as manifestações de devoção estavam faixas e fotografias de agradecimento, além de fogos que marcaram a homenagem naquele trecho.
Uma fotografia erguida em meio à multidão lembra que a grandeza do Círio também está nas histórias particulares. Há um rosto, um vínculo, uma vida por trás de cada gesto. A festa reúne muita gente, mas o encontro com a fé permanece pessoal.
A esperança e o cuidado seguem juntos
Nas proximidades do Hospital Ophir Loyola, a passagem da imagem foi acompanhada por orações por familiares e pessoas em tratamento. Ao longo da jornada, a distribuição gratuita de água ajudou quem enfrentava o sol e o desgaste do percurso.
Diante de um hospital, a esperança ganha um significado especialmente próximo. A devoção se encontra com a fragilidade humana, com a preocupação por alguém e com a necessidade de encontrar forças para continuar.
No caminho, o cuidado também aparece de forma simples: oferecer água, aliviar o cansaço, perceber quem precisa de ajuda. São gestos que dão expressão concreta à solidariedade e fazem da romaria uma experiência de companhia.
Maria vai ao encontro do povo
A sexta-feira marcou a primeira romaria da Imagem Peregrina com o novo manto, apresentado na quinta-feira, 8 de outubro. A peça foi inspirada no tema do Círio de 2026, “Maria, missionária que nos dá Jesus”. A programação anunciada para o Traslado previa 46 paradas.
O tema encontra uma expressão nesse movimento de aproximação: a imagem deixa o santuário e percorre os lugares onde as pessoas moram, trabalham e constroem suas histórias.
A cada comunidade, uma nova acolhida. A cada parada, diferentes razões para rezar. Na devoção dos fiéis, Nossa Senhora é recebida com a intimidade de quem faz parte da família. É a Nazinha, nome carinhoso que aproxima a grande celebração da linguagem de casa.
No ar e nas ruas, a Rádio Amar e Servir abriu sua cobertura
Foi com atenção a essas histórias que a Rádio Amar e Servir abriu oficialmente sua cobertura do Círio nesta sexta-feira, em um programa ao vivo, das 19h às 20h, apresentado pelo padre Edson Tomé, SJ.
A transmissão marcou o início de uma programação dedicada a aproximar os ouvintes da experiência vivida em Belém. Para quem está longe, o rádio oferece companhia e a possibilidade de participar pela escuta, reconhecendo nas vozes dos devotos sentimentos que também fazem parte de sua própria caminhada.
Nas ruas, o repórter Murilo Galhardo e a produtora Indrig Arruda entrevistaram devotos da Nazinha. A equipe levou para a cobertura a presença de quem vive o Círio, abrindo espaço para que os próprios participantes contassem o significado desse encontro.
Essa escuta é parte essencial do trabalho da rádio. Os dados ajudam a dimensionar a romaria; as pessoas permitem compreender o que ela representa. Por trás de cada deslocamento, de cada espera e de cada retorno, há uma história que merece ser ouvida.
A noite também foi de cultura e memória
A sexta-feira teve ainda a expressão artística da devoção. Na Cidade Velha, o 32º Auto do Círio, programa de extensão da Universidade Federal do Pará, saiu da Praça do Carmo e percorreu as ruas do centro histórico, reunindo arte, religiosidade e defesa do patrimônio amazônico.
Com o tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”, o cortejo reforçou a ligação entre a celebração e a memória do povo. O banho de cheiro e as apresentações anteriores à saída fizeram parte da preparação.
A fé se transmite também pelos gestos aprendidos, pelas manifestações culturais e pelo vínculo com os lugares. No Círio, devoção e pertencimento caminham próximos.
Amanhã, seguimos juntos
Neste sábado, 10 de outubro, a programação terá a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial, a Moto Romaria e a Trasladação, preparando o caminho para a grande procissão de domingo, 11 de outubro.
A Rádio Amar e Servir segue na cobertura dos principais momentos do Círio de Nazaré, com informações e histórias na programação, no site e nas redes sociais.
A sexta-feira deixa a memória de uma fé que saiu ao encontro: nas comunidades que receberam a imagem, nas pessoas que ofereceram cuidado e nas vozes que encontraram espaço no rádio.
O percurso tem um ponto de chegada. A esperança que cada pessoa leva desse encontro continua pela vida.
Rádio Amar e Servir, transmitindo a fé no Círio de Nazaré.