Igreja celebra o Dia Mundial da Paz e ecoa apelo do Papa por uma paz desarmada e desarmante
Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, Leão XIV denuncia a espiral de destruição alimentada pela corrida armamentista e recorda que a verdadeira paz nasce da Ressurreição de Cristo e da conversão dos corações
Por Ronnaldh Oliveira
Publicado em 01/01/2026 16:19
Igreja
Fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro (@Vatican Media)

A Igreja celebra neste 1º de janeiro o Dia Mundial da Paz, instituído há 59 anos, convidando os fiéis a refletirem sobre a mensagem anual do Papa para esta data. Em sua mensagem para 2026, o Papa Leão XIV propõe como tema: “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”.

No texto, o Pontífice alerta para a “espiral de destruição” que marca o cenário internacional, alimentada pela corrida armamentista, pelo desenvolvimento de armas cada vez mais sofisticadas e autônomas e pela lógica do medo. Diante desse contexto, Leão XIV exorta a comunidade internacional e os cristãos a buscarem uma paz que não se apoia na força das armas, mas que brota da Ressurreição de Cristo, única resposta verdadeira aos desafios do mundo contemporâneo.

A mensagem recorda que a paz não é apenas ausência de guerra ou conflito. Em termos gerais, ela pode ser compreendida como a tranquilidade que nasce da ordem e da unidade das vontades, enquanto a paz interior é fruto da harmonia entre a vontade humana e a vontade divina. Trata-se de uma paz que pode ser vivida mesmo em meio a grandes dificuldades e tormentas exteriores.

A paz como ordem querida por Deus

Ao longo da história recente da Igreja, o magistério pontifício tem reafirmado que a paz começa no interior da pessoa humana. São João XXIII, na encíclica Pacem in terris, afirmou que “só haverá paz na sociedade humana se essa estiver presente em cada um dos seus membros, se em cada um se instaurar a ordem querida por Deus”.

Na mesma linha, São João Paulo II exortou, em um contexto marcado por violência, ódio e guerras, que os cristãos testemunhem que somente Cristo pode conceder a verdadeira paz ao coração humano, às famílias e aos povos. Para ele, promover a paz passa necessariamente pelo compromisso com a justiça e a fraternidade.

Um apelo que se transforma em oração

A celebração do Dia Mundial da Paz é também um convite à oração. Em diversos momentos de seu pontificado, São João Paulo II elevou preces pela paz, dando voz às vítimas das guerras, às crianças feridas pela violência e aos povos que desejam trilhar caminhos de reconciliação.

Em uma de suas orações, o Papa pediu a Deus que infundisse no coração da humanidade “a sabedoria da paz, a força da justiça e a alegria da amizade”, exortando a responder ao ódio com o amor, à injustiça com o compromisso pela justiça e à miséria com a partilha.

Neste Dia Mundial da Paz, a Igreja renova o chamado a todos os fiéis para que se tornem artesãos da paz, testemunhando, na vida pessoal e social, que a paz verdadeira é possível quando os corações se deixam desarmar pelo amor de Deus.

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