A Agência Fides, das Pontifícias Obras Missionárias, divulgou nesta terça-feira (30) seu relatório anual sobre missionários e agentes pastorais mortos de forma violenta em 2025. Segundo o levantamento, 17 sacerdotes, religiosas, seminaristas e leigos perderam a vida em diferentes regiões do mundo no contexto do testemunho da fé e do serviço pastoral.
De acordo com o relatório, a África foi o continente que registrou o maior número de mortes, com 10 vítimas: seis sacerdotes, dois seminaristas e dois catequistas. No continente americano, foram mortos quatro missionários (dois sacerdotes e duas religiosas); na Ásia, dois (um sacerdote e um leigo); e na Europa, um sacerdote.
Um balanço que revela nomes e histórias
Entre os anos de 2000 e 2025, o número total de missionários e agentes pastorais assassinados chegou a 626. A Fides esclarece que a lista não se refere apenas a missionários ad gentes em sentido estrito, mas inclui todos os cristãos católicos envolvidos em atividades pastorais que morreram de forma violenta, mesmo quando os crimes não foram motivados explicitamente por ódio à fé.
Mais do que estatísticas, o relatório reúne nomes e histórias que refletem contextos marcados por guerras, revoluções, instabilidade social e pobreza extrema. Muitas dessas mortes ocorreram em regiões onde a presença da Igreja representa um sinal de esperança, reconciliação e proximidade com os mais pobres.
Nigéria, o país mais atingido
Entre os países africanos, a Nigéria foi o mais afetado em 2025, com o assassinato de três sacerdotes e dois seminaristas, vítimas de sequestros, roubos e violência armada. A situação de insegurança no país se arrasta há anos, afetando comunidades cristãs e muçulmanas.
Em entrevista à Fides, o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, afirmou que os dados causam “grande tristeza” e também “um pouco de vergonha”, sobretudo em um país profundamente religioso. Ele defendeu que toda instrumentalização da religião para justificar a violência seja claramente denunciada e rejeitada.
O prelado destacou ainda a inação do Estado diante da crise e considerou que uma ajuda externa indireta, voltada a apoiar o governo no combate a grupos extremistas e às causas estruturais da violência, pode ser necessária.
Testemunhas do Evangelho até o fim
O relatório da Fides recorda palavras do Papa Leão XIV, que em homilia na Missa dos mártires e testemunhas da fé do século XXI, em setembro, destacou que esses homens e mulheres anunciaram o Evangelho “sem jamais usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e gentil do Evangelho”.
Entre os casos citados estão os catequistas Mathias Zongo e Christian Tientga, mortos em Burkina Faso, e o sacerdote Luka Jomo, pároco de El Fasher, no Sudão, vítima de um conflito armado enquanto estava com jovens da comunidade. Situações igualmente dramáticas foram registradas no Haiti, no México e na Europa, onde um sacerdote foi encontrado morto na Polônia.
Ao apresentar os dados, a Agência Fides sublinha que o sangue derramado por esses missionários e agentes pastorais continua sendo um testemunho silencioso e eloquente do Evangelho, que interpela a Igreja e o mundo sobre a urgência da paz, da justiça e da proteção da vida humana.