Eleito para conduzir a Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude no triênio 2026–2028, Arlef Noite Ribeiro, 26 anos, natural de Macapá (AP), chega à missão nacional trazendo na bagagem 11 anos de caminhada pastoral. Licenciado em Química e mestre em Ciências Ambientais, Arlef percorreu o caminho que começa nos grupos de jovens, passa pela paróquia, pela diocese e pelo Regional Norte 2 (Pará e Amapá), até alcançar agora o serviço em âmbito nacional.
Ao falar de suas expectativas, o novo secretário nacional demonstra consciência do tamanho da missão e do caráter de serviço que a função exige. “Espero poder fazer um bom serviço dentro da Secretaria Nacional”, afirma, reconhecendo que, apesar da longa trajetória pastoral, este é um novo passo — e, possivelmente, o último dentro das instâncias formais da Pastoral da Juventude. Para ele, o desafio é transformar boas expectativas em ações concretas, capazes de alcançar as juventudes “de norte a sul, de leste a oeste” do Brasil.
Arlef também não minimiza as dificuldades do caminho. Entre os principais desafios, aponta tanto as questões logísticas quanto as profundas transformações das realidades juvenis. “Hoje a caminhada da pastoral não é a mesma de dez ou vinte anos atrás”, observa, destacando a necessidade de fazer memória do passado, atualizar o presente e projetar o futuro da ação evangelizadora junto aos jovens.
Sinodalidade vivida na prática
Ao refletir sobre os sonhos e prioridades para a Pastoral da Juventude no Brasil, Arlef sublinha que a sinodalidade não é apenas um conceito recente, mas uma prática já vivida historicamente pela PJ. Segundo ele, a própria dinâmica das Ampliadas Nacionais e do processo de eleição do secretário nacional são exemplos concretos de uma Igreja que escuta, discerne e decide em conjunto.
“A sinodalidade parte da escuta. Primeiro a gente escuta, depois discerne e, a partir disso, toma decisões”, explica. Essa metodologia, afirma, permite que a Pastoral da Juventude esteja em sintonia tanto com a vida da Igreja quanto com as realidades juvenis fora dela. É nessa escuta atenta e nesse diálogo constante que a PJ encontra forças para permanecer próxima dos jovens e favorecer uma participação mais ativa na vida e na missão da Igreja no Brasil.
Uma pastoral mais mãe, missionária e profética
Entre os sonhos pessoais que traz para o serviço nacional, Arlef destaca o desejo de uma Pastoral da Juventude “mais mãe, mais acolhedora e mais profética”. Para ele, a missão da PJ passa necessariamente pela construção de pontes — dentro e fora da Igreja —, em sintonia com o apelo do Papa Francisco para uma Igreja do diálogo.
“Precisamos ser instrumento de pontes. Só assim conseguimos fazer a sinodalidade do Reino de Deus acontecer”, afirma. O novo secretário sonha com uma pastoral alegre, capaz de escutar as especificidades de cada juventude, atenta às realidades locais e comprometida com uma ação missionária que não se feche em si mesma. Nesse horizonte, o fortalecimento da articulação entre regionais e a sintonia com a Igreja e com a sociedade aparecem como prioridades do seu serviço.
Da Amazônia para o Brasil: experiência que interpela
A experiência vivida na Diocese de Macapá e no Regional Norte 2 marca profundamente a compreensão de Arlef sobre a missão da Pastoral da Juventude. Sua caminhada junto a juventudes indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas o levou a assumir, desde cedo, a defesa da vida como eixo central da ação pastoral.
“São populações ameaçadas, enfraquecidas pelos sinais de morte presentes no mundo de hoje”, recorda. Diante disso, Arlef defende que a Pastoral da Juventude nacional esteja atenta às demandas dessas juventudes e de outros grupos historicamente vulnerabilizados, como mulheres negras e pessoas LGBTQIA+. Para ele, anunciar o Reino de Deus passa necessariamente pelo compromisso com a acolhida, a escuta e a defesa da dignidade de todas as pessoas.
Usando a imagem evangélica do lava-pés, o novo secretário recorda que a missão cristã é, antes de tudo, serviço. “Precisamos sentar à mesa, curvar os joelhos e lavar os pés uns dos outros”, afirma, reforçando que a Pastoral da Juventude é chamada a ser sinal concreto do Reino de Deus no meio das juventudes brasileiras.
Uma missão vivida em comunhão
Consciente de que o serviço nacional não se constrói de forma isolada, Arlef reforça o caráter coletivo da Pastoral da Juventude. “Sozinho eu não consigo. Nós somos um coletivo”, afirma, destacando a importância da caminhada conjunta entre grupos de jovens, regionais e instâncias nacionais.
Para o triênio que se inicia, o horizonte é claro: fortalecer grupos existentes, criar novas experiências de organização juvenil, rearticular regionais fragilizados e manter viva a esperança de uma juventude que caminha em comunhão, protagonismo e missão. Uma juventude que, nas palavras do novo secretário nacional, deseja “fazer acontecer o projeto do Reino de Deus no meio do nosso povo”.