Seminário em Roma marca os 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé
Encontro realizado na Pontifícia Universidade Gregoriana abriu as celebrações do bicentenário e destacou a contribuição da Igreja na história, na cultura e na construção do Estado brasileiro.
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 23/01/2026 19:56
Igreja
Reprodução Fundação Bibloteca Nacional

Nesta semana, Roma e o Vaticano celebram os 200 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, uma das mais antigas mantidas pelo Estado brasileiro. As relações tiveram início em 23 de janeiro de 1826, quando o Papa Leão XII recebeu as cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, enviado pelo imperador Dom Pedro I para tratar do reconhecimento internacional da Independência do Brasil, proclamada em 1822.

Como parte das comemorações do bicentenário, foi realizado na terça-feira (20) o seminário “Relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé”, na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. O evento foi promovido pela Embaixada do Brasil junto à Santa Sé e reuniu autoridades eclesiásticas, diplomáticas e acadêmicas.

A mesa institucional de abertura contou com a presença do cardeal dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e do reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), padre Anderson Antônio Pedroso, SJ.

Um percurso histórico de diálogo e cooperação

Durante o encontro, o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, diplomata Everton Vieira Vargas, destacou a relevância histórica do reconhecimento da Independência brasileira pelo Papa Leão XII. Segundo ele, esse gesto foi decisivo para que o Brasil obtivesse também o reconhecimento de outras nações no cenário internacional.

“O seminário inaugura, de forma significativa, as celebrações desse bicentenário, que testemunha uma relação marcada pelo diálogo, pela cooperação e pelo respeito mútuo”, afirmou o embaixador.

Missão, fronteiras e liberdade religiosa

Em sua intervenção, dom Jaime Spengler ressaltou a importância histórica da ação missionária na formação do território brasileiro. “Se o Brasil tem hoje as fronteiras que tem, muito se deve ao trabalho dos missionários, especialmente nas regiões de fronteira”, afirmou.

O presidente da CNBB recordou ainda os 400 anos das missões jesuíticas no Brasil, que classificou como uma “epopeia bonita e extraordinária”, e destacou os 15 anos do Acordo Brasil–Santa Sé, lembrados em 2025 com a realização do Seminário sobre a Laicidade do Estado e a Liberdade Religiosa, que evidenciou os frutos do acordo para a garantia da liberdade religiosa no país.

Participam das celebrações do bicentenário os membros da presidência da CNBB: dom Jaime Spengler, dom João Justino de Medeiros Silva, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa e dom Ricardo Hoepers. Eles também se encontraram com o embaixador Everton Vieira Vargas e com o cardeal Lorenzo Baldisseri, que foi Núncio Apostólico no Brasil entre 2002 e 2012 e teve papel relevante na diplomacia pontifícia e no diálogo entre o Brasil e a Santa Sé.

Programação do bicentenário ao longo de 2026

O Vaticano incluiu oficialmente o bicentenário das relações Brasil–Santa Sé entre as datas comemorativas de destaque de sua programação institucional em 2026. As celebrações têm como momento central a missa solene no dia 23 de janeiro, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, presidida pelo Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.

Ao longo do ano, estão previstas diversas iniciativas, como o lançamento de um selo postal comemorativo no Museu do Vaticano; a Mostra do Bicentenário de Cinema Brasileiro, nos dias 23 e 24 de abril, no Cinema Troisi, com curadoria do cardeal José Tolentino de Mendonça; e um seminário sobre o Padre Antônio Vieira, marcado para 7 de maio, na Biblioteca Nacional Central de Roma.

 

No Brasil, as celebrações incluem atividades durante a Assembleia Geral da CNBB, em abril, uma Sessão Solene no Congresso Nacional, eventos institucionais em Brasília e uma exposição comemorativa. As iniciativas buscam preservar a memória histórica, expressar gratidão mútua e renovar o compromisso comum entre o Brasil e a Santa Sé, destacando a contribuição da Igreja Católica na construção de uma sociedade mais fraterna, justa e solidária.

Com informações CNBB

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