Discernimento vocacional deve estar no coração do acompanhamento juvenil, afirma jesuíta
Durante o MAGIS Think In, em Roma, Pe. Mark Ravizza, SJ, questionou modelos fragmentados de pastoral juvenil e defendeu uma integração profunda entre acompanhamento e vocação
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 30/01/2026 19:00
Jesuítas

Durante a reunião do MAGIS Think In, realizada em Roma no início de janeiro, o jesuíta Mark Ravizza, conselheiro de formação da Cúria Geral da Companhia de Jesus, lançou uma pergunta que marcou profundamente os participantes: o discernimento vocacional é apenas um complemento ao ministério com jovens adultos ou faz parte do seu núcleo mais essencial?

Segundo Ravizza, tratar a vocação como um “adicional” — reduzido a eventos pontuais ou ações isoladas — empobrece o próprio sentido do acompanhamento. Em contrapartida, uma abordagem integrada compreende o discernimento como inseparável do processo de ajudar os jovens a descobrir quem são e para que são chamados.

“Deixe sua vida falar”

Para aprofundar essa visão, o jesuíta recorreu ao educador e escritor quaker Parker Palmer, cuja reflexão desloca a vocação de uma lógica de recrutamento para uma atitude de escuta profunda.

“Antes que eu possa dizer à minha vida o que quero fazer com ela, devo ouvir minha vida me dizendo quem eu sou”, escreveu Palmer. Para Ravizza, essa perspectiva recoloca a vocação como resposta ao que Deus já está realizando na história concreta de cada pessoa.

A vocação, acrescenta Palmer, não nasce da obstinação, mas da escuta atenta da própria vida — inclusive daquilo que ela revela para além dos desejos idealizados. Essa compreensão encontra profunda sintonia com a espiritualidade inaciana, marcada pelo discernimento, pela atenção aos movimentos interiores e pela busca de Deus em todas as coisas.

Quando a realidade chama

O discernimento vocacional, no entanto, não se limita à escuta interior. Ravizza recordou também a contribuição do escritor alemão Hermann Hesse, que descreve a vocação como uma convocação que muitas vezes vem de fora, quando a realidade se impõe e interpela.

Essa dimensão ajuda a compreender por que experiências de serviço, contato com os pobres e vivências de imersão são centrais no movimento MAGIS. Quando jovens adultos se encontram com o sofrimento concreto — em contextos como Gaza, Mianmar, as periferias urbanas ou as margens de suas próprias cidades — a realidade faz sua reivindicação. E, nesse encontro, muitos descobrem um chamado inesperado.

Do “extra” à integração

A necessidade dessa integração também foi destacada pelo jesuíta Paul Shelton, representante do ministério de jovens adultos da Conferência Jesuíta do Canadá e dos Estados Unidos (JCCU) e assistente provincial de vocações dos Jesuítas do Centro-Oeste.

Segundo ele, por muito tempo, pastoral juvenil e promoção vocacional foram tratadas como caminhos paralelos. No entanto, acompanhar jovens nos Exercícios Espirituais, em experiências de serviço e na reflexão sobre seus desejos mais profundos já é, em si, ministério vocacional.

“O nosso trabalho não é empurrar os jovens para uma resposta específica”, afirmou Shelton, “mas ajudá-los a ouvir a pergunta que Deus está fazendo a eles”, abrindo espaço para todas as vocações: matrimônio, vida solteira, vida religiosa e sacerdócio.

Horizontes para o MAGIS 2027

Essa visão integrada de acompanhamento e discernimento orientará os próximos passos do movimento MAGIS e será um eixo central do MAGIS 2027, que acontecerá na Coreia do Sul. O encontro reunirá milhares de jovens adultos em experiências pensadas não apenas para inspirar, mas para ajudá-los a discernir a vida que Deus deseja viver neles.

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