Intimidade com Deus e presença generosa: Papa encoraja sacerdotes diante dos desafios atuais
Em carta enviada à Assembleia Presbiteral de Madri, Leão XIV convida o clero a fortalecer a vida espiritual, cultivar o discernimento e celebrar os sacramentos com fé e dignidade
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 09/02/2026 11:50
Papa
Foto: Vatican Media

A Santa Sé divulgou nesta segunda-feira (9) a carta do Papa Leão XIV dirigida aos presbiteros da Arquidiocese de Madri, na Espanha. A mensagem foi enviada por ocasião da Assembleia Presbiteral Convivium, realizada entre os dias 9 e 10 de fevereiro.

Logo no início do texto, o Santo Padre reconhece a dedicação dos sacerdotes e as dificuldades vividas no exercício do ministério. Ele manifesta proximidade e encorajamento, desejando que o encontro seja espaço de escuta sincera, comunhão e abertura à ação do Espírito Santo.

“Desejo que estas palavras transmitam proximidade e alento aos presbíteros”, afirma o Papa.

 

Discernir os sinais de Deus no tempo presente

Refletindo sobre a realidade atual, Leão XIV convida a Igreja a uma leitura serena e honesta dos desafios do mundo à luz da fé. Para o Pontífice, torna-se essencial cultivar o discernimento espiritual.

“Torna-se cada vez mais necessário treinar o olhar e praticar o discernimento, para perceber o que Deus já está operando, muitas vezes de forma silenciosa e discreta.”

O Papa observa que a sociedade vive uma profunda mudança cultural, marcada por secularização crescente, polarização e pela tendência de reduzir a pessoa humana a visões ideológicas parciais.

“A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao domínio do irrelevante.”

Apesar disso, ele aponta sinais de esperança: muitas pessoas, diante do vazio deixado por propostas insuficientes sobre o sentido da vida, iniciam uma busca mais autêntica que pode conduzi-las novamente ao encontro com Cristo.

 

Sacerdotes configurados a Cristo

Diante desse cenário, o Papa indica o perfil de sacerdote que a Igreja necessita hoje: homens configurados a Cristo e sustentados por uma relação viva com o Senhor.

“Não se trata de inventar novos modelos, mas de propor novamente o sacerdócio em sua essência mais autêntica: ser alter Christus.”

Segundo o Pontífice, a vida sacerdotal deve ser nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pela doação sincera.

 

A catedral como imagem do ministério

Para ilustrar sua reflexão, Leão XIV utiliza a imagem da Catedral de Madri como metáfora do sacerdócio. Assim como a catedral conduz ao encontro com Deus, o sacerdote é chamado a apontar para o Mistério sem ocupar o lugar de Cristo.

“Toda a vida do sacerdote é chamada a apontar para Deus e acompanhar o passo em direção ao Mistério, sem usurpar o Seu lugar.”

O Papa recorda que o sacerdote deve estar no mundo sem ser do mundo, vivendo o celibato, a pobreza e a obediência como sinais de pertença total a Deus e de proximidade com os homens.

 

Celebrar os sacramentos com dignidade e fé

A carta destaca ainda a centralidade dos sacramentos no ministério sacerdotal. Leão XIV exorta os presbíteros a celebrá-los com reverência e confiança na ação da graça.

“Celebrem os sacramentos com dignidade e fé, conscientes de que neles se produz a verdadeira força que edifica a Igreja.”

O Papa lembra a importância do Batismo e da Reconciliação, lugares discretos mas essenciais da vida eclesial, e convida os sacerdotes a beberem dessa fonte de graça.

 

Homens de oração e adoradores

Concluindo a mensagem, o Pontífice volta o olhar ao altar e ao tabernáculo, centro da vida da Igreja.

“Sejam adoradores, homens de profunda oração, e ensinem o seu povo a fazer o mesmo.”

 

A carta encerra com um chamado à intimidade com Deus como fundamento indispensável para sustentar o ministério sacerdotal e acompanhar o povo de Deus com esperança.

Com informações Vatican News

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