A Santa Sé divulgou nesta segunda-feira (9) a carta do Papa Leão XIV dirigida aos presbiteros da Arquidiocese de Madri, na Espanha. A mensagem foi enviada por ocasião da Assembleia Presbiteral Convivium, realizada entre os dias 9 e 10 de fevereiro.
Logo no início do texto, o Santo Padre reconhece a dedicação dos sacerdotes e as dificuldades vividas no exercício do ministério. Ele manifesta proximidade e encorajamento, desejando que o encontro seja espaço de escuta sincera, comunhão e abertura à ação do Espírito Santo.
“Desejo que estas palavras transmitam proximidade e alento aos presbíteros”, afirma o Papa.
Discernir os sinais de Deus no tempo presente
Refletindo sobre a realidade atual, Leão XIV convida a Igreja a uma leitura serena e honesta dos desafios do mundo à luz da fé. Para o Pontífice, torna-se essencial cultivar o discernimento espiritual.
“Torna-se cada vez mais necessário treinar o olhar e praticar o discernimento, para perceber o que Deus já está operando, muitas vezes de forma silenciosa e discreta.”
O Papa observa que a sociedade vive uma profunda mudança cultural, marcada por secularização crescente, polarização e pela tendência de reduzir a pessoa humana a visões ideológicas parciais.
“A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao domínio do irrelevante.”
Apesar disso, ele aponta sinais de esperança: muitas pessoas, diante do vazio deixado por propostas insuficientes sobre o sentido da vida, iniciam uma busca mais autêntica que pode conduzi-las novamente ao encontro com Cristo.
Sacerdotes configurados a Cristo
Diante desse cenário, o Papa indica o perfil de sacerdote que a Igreja necessita hoje: homens configurados a Cristo e sustentados por uma relação viva com o Senhor.
“Não se trata de inventar novos modelos, mas de propor novamente o sacerdócio em sua essência mais autêntica: ser alter Christus.”
Segundo o Pontífice, a vida sacerdotal deve ser nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pela doação sincera.
A catedral como imagem do ministério
Para ilustrar sua reflexão, Leão XIV utiliza a imagem da Catedral de Madri como metáfora do sacerdócio. Assim como a catedral conduz ao encontro com Deus, o sacerdote é chamado a apontar para o Mistério sem ocupar o lugar de Cristo.
“Toda a vida do sacerdote é chamada a apontar para Deus e acompanhar o passo em direção ao Mistério, sem usurpar o Seu lugar.”
O Papa recorda que o sacerdote deve estar no mundo sem ser do mundo, vivendo o celibato, a pobreza e a obediência como sinais de pertença total a Deus e de proximidade com os homens.
Celebrar os sacramentos com dignidade e fé
A carta destaca ainda a centralidade dos sacramentos no ministério sacerdotal. Leão XIV exorta os presbíteros a celebrá-los com reverência e confiança na ação da graça.
“Celebrem os sacramentos com dignidade e fé, conscientes de que neles se produz a verdadeira força que edifica a Igreja.”
O Papa lembra a importância do Batismo e da Reconciliação, lugares discretos mas essenciais da vida eclesial, e convida os sacerdotes a beberem dessa fonte de graça.
Homens de oração e adoradores
Concluindo a mensagem, o Pontífice volta o olhar ao altar e ao tabernáculo, centro da vida da Igreja.
“Sejam adoradores, homens de profunda oração, e ensinem o seu povo a fazer o mesmo.”
A carta encerra com um chamado à intimidade com Deus como fundamento indispensável para sustentar o ministério sacerdotal e acompanhar o povo de Deus com esperança.
Com informações Vatican News