No Dia Mundial do Rádio, Vaticano destaca a força da voz humana na era da inteligência artificial
Aos 95 anos da Rádio do Papa, programação especial reflete sobre o futuro do rádio, o impacto da IA e a centralidade da comunicação humana.
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 13/02/2026 17:29
Rádio
Foto: Vatican Media

Neste 13 de fevereiro, Dia Mundial do Rádio, a Rádio Vaticano (Vatican News) promoveu uma programação especial dedicada ao futuro do rádio e aos desafios da comunicação na era digital. A iniciativa reuniu sete programas em diferentes idiomas, transformados em podcasts temáticos que abordam o serviço público, a inovação e a relação entre mídia, sociedade e inteligência artificial.

A celebração ocorre logo após os 95 anos da Rádio Vaticano, fundada em 1931 por vontade do Pio XI e realizada pelo inventor Guglielmo Marconi. Ao longo de quase um século, a emissora mantém a missão de ligar a Santa Sé a povos e culturas de todo o mundo, atravessando transformações tecnológicas, culturais e geopolíticas sem perder sua identidade.

Rádio e inteligência artificial: ferramenta, não voz

O tema escolhido para o Dia Mundial do Rádio 2026 foi “A inteligência artificial é uma ferramenta, não uma voz”. A reflexão dialoga com a mensagem do Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Pontífice recorda a importância da responsabilidade humana, do discernimento e da escuta na comunicação contemporânea.

Na mensagem, o Papa alerta para os riscos de uma comunicação automatizada e desumanizada. Segundo o Pontífice, o desafio atual não é apenas tecnológico, mas antropológico: preservar vozes e rostos humanos significa preservar a própria dignidade da pessoa.

Leão XIV também chama atenção para o impacto dos algoritmos nas redes sociais, que podem favorecer a polarização e a desinformação ao privilegiar conteúdos rápidos e emotivos. Para enfrentar esse cenário, o Papa propõe três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Responsabilidade e formação para a comunicação digital

Entre as orientações, destaca-se a necessidade de sinalizar conteúdos gerados por inteligência artificial e proteger a autoria do trabalho jornalístico. O Pontífice pede ainda a colaboração entre plataformas digitais, legisladores, comunicadores, educadores e sociedade civil para a construção de uma cidadania digital responsável.

Outro ponto central da mensagem é a educação para o uso crítico das tecnologias. O Papa defende a inclusão da alfabetização em inteligência artificial nos sistemas educativos, incentivando a verificação das fontes, a proteção de dados pessoais e o uso consciente das ferramentas digitais.

O rádio permanece presença e companhia

Durante o programa especial, convidados refletiram sobre o papel do rádio diante das transformações tecnológicas. Entre eles, comunicadores e especialistas destacaram que o rádio tem demonstrado capacidade constante de adaptação ao longo das décadas, sobrevivendo à chegada da televisão, da internet e agora da inteligência artificial.

A experiência recente da pandemia foi lembrada como exemplo da relevância do meio: em momentos de isolamento, o rádio reafirmou sua vocação de presença, companhia e proximidade com os ouvintes.

Mesmo diante dos avanços tecnológicos, a conclusão comum foi clara: a inteligência artificial pode ser uma aliada, mas não substitui a comunicação humana. A voz, o encontro e a escuta permanecem no centro da missão do rádio.

 

Ao celebrar o Dia Mundial do Rádio, a iniciativa reforça que a revolução digital exige uma alfabetização crítica e responsável, para que a inovação tecnológica esteja sempre a serviço da pessoa e do encontro humano.

Com informações Vatican News

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