Na Audiência Geral desta quarta-feira (4), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição dogmática Lumen Gentium, refletindo sobre a natureza da Igreja.
O Pontífice explicou que a Igreja é uma realidade “complexa” — não no sentido de confusão, mas porque nela convivem harmoniosamente a dimensão humana e a divina. “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história”, afirmou.
Ao retomar o primeiro capítulo da Lumen Gentium, o Papa recordou que o Concílio buscou responder à pergunta essencial: o que é a Igreja? Ela é apresentada como um organismo estruturado no qual as dimensões humana e divina coexistem sem separação nem confusão.
Leão XIV destacou que a face mais visível da Igreja é a comunidade de homens e mulheres que vivem a alegria e também o peso da vida cristã, com suas virtudes e fragilidades. Contudo, sua origem não está na perfeição dos seus membros, mas no plano de amor de Deus realizado em Cristo.
“A Igreja não nasce de uma perfeição ideal, mas do amor de Deus pela humanidade”, sublinhou.
À luz da humanidade de Cristo
Para ilustrar essa realidade, o Santo Padre recordou a experiência dos discípulos com Jesus: encontravam um homem concreto, com rosto e gestos, mas ao mesmo tempo eram conduzidos ao encontro com o Deus invisível. Assim também a Igreja é, simultaneamente, assembleia visível e mistério espiritual, povo peregrino e Corpo Místico de Cristo.
Mesmo quando marcada por limites e erros humanos, é por meio dessa fragilidade que Cristo continua a agir e a salvar. Citando Bento XVI, o Papa reafirmou que não há oposição entre Evangelho e instituição: as estruturas eclesiais existem para tornar o Evangelho concreto no tempo presente.
Na conclusão da catequese, Leão XIV convidou os fiéis a edificarem a Igreja sobretudo por meio da comunhão e da caridade, que tornam presente o Ressuscitado no mundo.
Recordando as palavras de Santo Agostinho, o Pontífice exortou: “Queira o céu que todos pensem somente na caridade: ela só, de fato, conquista todas as coisas, e sem ela todas as coisas são inúteis”.
A reflexão desta semana recorda que a santidade da Igreja não está na ausência de fragilidades, mas na presença viva de Cristo que continua a agir na história por meio do seu povo.
Com informações Vatican News