Em um tempo em que o mundo parece cada vez mais dividido entre disputas, fronteiras, guerras e discursos de ódio, o Papa Leão XIV propõe um olhar simples e profundamente humano: o esporte pode ser mais do que competição. Pode ser escola de fraternidade, lugar de encontro e instrumento de paz.
Foi divulgada nesta terça-feira, 2 de junho, a mensagem de vídeo do Papa com a intenção de oração para este mês. O tema escolhido é “pelos valores do esporte”. Na oração, Leão XIV convida os cristãos a pedirem para que a prática esportiva ajude a promover o respeito, a solidariedade, o diálogo entre culturas e o espírito de superação.
Às vésperas da Copa do Mundo, quando os olhos de milhões de pessoas se voltam para os campos, as seleções, as torcidas e as disputas, o Papa recorda que o esporte também pode revelar algo essencial sobre a vida: ninguém caminha sozinho, ninguém vence sozinho e ninguém se salva sozinho.
“Na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho”, afirma o Pontífice, ao recordar que precisamos uns dos outros para crescer, aprender a respeitar, superar limites e celebrar juntos as vitórias alcançadas.
Na oração divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa, Leão XIV agradece a Deus pelo dom do esporte, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogar em equipe. Para o Santo Padre, o esporte só revela sua verdadeira beleza quando deixa de ser rivalidade vazia e se torna espaço de encontro.
O Papa pede que o esporte seja “escola de fraternidade”, não lugar de exclusão. Que seja caminho de paz, não de violência. Que ajude atletas, treinadores, torcedores e comunidades a descobrirem uma linguagem universal capaz de aproximar povos, culturas e nações.
Essa mensagem toca diretamente um dos grandes desafios do nosso tempo. Em muitas situações, a competição deixou de ser saudável e passou a ser marcada pela humilhação do adversário, pela violência nas arquibancadas, pelo ódio nas redes sociais e pela idolatria do resultado. Contra essa lógica, Leão XIV propõe uma espiritualidade do esporte, na qual vencer não significa esmagar o outro, e perder não significa perder a própria dignidade.
Para o Papa, o esporte ensina quando ajuda a formar pessoas mais humanas. Ensina quando mostra que a disciplina, o esforço, a humildade e a colaboração valem tanto quanto o resultado final. Ensina quando revela que a vitória sem gratidão se torna vaidade, e que a derrota, quando acolhida com maturidade, também pode ser caminho de crescimento.
Essa não é a primeira vez que Leão XIV fala sobre o valor espiritual e social do esporte. Durante o Jubileu do Esporte, celebrado em Roma em 2025, o Pontífice já havia destacado que o esporte pode ser um caminho para construir a paz, justamente porque educa para o respeito, para a lealdade, para a cultura do encontro e para a fraternidade.
Naquela ocasião, o Papa também recordou que vivemos em uma sociedade marcada pela solidão e pelo individualismo, onde muitas vezes o “eu” ocupa o lugar do “nós”. Nesse contexto, o esporte praticado em equipe se torna uma parábola concreta da vida: é preciso passar a bola, confiar, esperar, recuar, avançar, reconhecer o talento do outro e celebrar a conquista comum.
Mais recentemente, ao se dirigir aos atletas ligados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Milão-Cortina, Leão XIV voltou a insistir que o esporte não deve ser exibição de força, mas exercício de relação. Para ele, os atletas são chamados a testemunhar uma linguagem universal: competir sem odiar, vencer sem humilhar e perder sem se destruir por dentro.
A mensagem também recupera uma dimensão histórica importante. Desde a Antiga Grécia, os Jogos Olímpicos nasceram ligados à ideia de trégua e convivência pacífica. A chamada Trégua Olímpica permitia que povos em conflito suspendessem temporariamente as disputas para garantir a participação segura nos jogos. Séculos depois, esse mesmo espírito continua sendo necessário: transformar a competição em ponte, e não em muro.
A intenção de oração do Papa para junho também fala às famílias, escolas, paróquias, projetos sociais e comunidades que encontram no esporte um caminho de educação e inclusão. Um campo, uma quadra ou uma roda de jogo podem ser lugares onde crianças e jovens aprendem valores que levarão para a vida inteira: respeito às regras, cuidado com o corpo, convivência com as diferenças, responsabilidade, perseverança e amizade.
Para a Igreja, o esporte não é apenas uma atividade física. É também um espaço de formação humana e espiritual. Quando bem vivido, ele ajuda a educar o corpo, o coração e as relações. Ensina que o outro não é inimigo, mas companheiro de caminho. Ensina que a vitória mais bonita não é aquela conquistada contra alguém, mas aquela construída com alguém.
Ao final de sua oração, Leão XIV pede que cada esporte seja uma parábola de uma vida vivida com Cristo, marcada pelo esforço, pela alegria, pela humildade na derrota e pela gratidão na vitória. E pede ainda que nunca falte o Espírito Santo, aquele que faz da humanidade uma só equipe, chamada a construir comunhão e fraternidade na história.
A intenção deste mês é confiada à Rede Mundial de Oração do Papa, Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus e presente em mais de 90 países. A rede reúne milhões de pessoas em torno das intenções mensais do Pontífice, convidando os fiéis a rezarem pelos grandes desafios da humanidade e da missão da Igreja.
Neste mês de junho, a oração é simples, mas urgente: que o esporte não alimente rivalidades vazias, mas ajude o mundo a reaprender a jogar junto. Porque, dentro e fora do campo, a vida só se torna plenamente humana quando deixa de ser disputa solitária e se transforma em comunhão.