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Na Assembleia da CNBB, Dom Armando Bucciol destaca juventudes como protagonistas da missão da Igreja e da democracia
Em entrevista à Rádio Amar e Servir, bispo que atua na Bahia e orienta o retiro dos bispos reforça a urgência de formar, escutar e sonhar com as novas gerações
Por Murilo Galhardo
Publicado em 16/04/2026 10:35 • Atualizado 16/04/2026 11:40
Juventudes
62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil | Entrevista à Rádio Amar e Servir, Dom Armando Bucciol

Durante a cobertura da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em entrevista à Rádio Amar e Servir, Dom Armando Bucciol refletiu sobre o papel das juventudes na Igreja e na sociedade, destacando que os jovens precisam ser reconhecidos como protagonistas reais na construção de um futuro mais justo e comprometido com o bem comum. O bispo, que atua na Bahia e também conduz o retiro espiritual dos bispos durante o encontro, tem uma trajetória fortemente ligada à formação, marcada também pela experiência no Colégio Pio Brasileiro.

Ao abordar o papel concreto das juventudes, Dom Armando ressaltou que nenhuma transformação acontece de forma automática e que é necessário investir com seriedade na formação das novas gerações, oferecendo ideias consistentes, valores sólidos e horizontes amplos. Para ele, cultivar sonhos é parte essencial desse processo formativo.

“Eu uso a palavra sonhos. Cultivar sonhos de um mundo melhor, apesar de tudo.”

Mesmo diante de um cenário global marcado por crises sociais, políticas e ambientais, o bispo reforçou que a juventude continua sendo um espaço de vitalidade e esperança, que precisa ser acompanhado com responsabilidade. Nesse caminho, ele fez uma advertência direta aos adultos, chamando atenção para a forma como os jovens são, muitas vezes, julgados.

“Um adulto que fala mal dos jovens projeta neles aquilo que não fez ou fez mal.”

A fala reforça que o papel dos adultos não é desqualificar, mas assumir sua responsabilidade formativa. Dom Armando defende que educar exige equilíbrio entre acolhimento e exigência, unindo amor, ternura e, ao mesmo tempo, propostas desafiadoras que elevem o nível da reflexão e da ação.

“Não podemos diminuir o nível das propostas, mas fazer propostas ainda mais corajosas.”

A preocupação com o futuro das novas gerações também esteve presente de forma forte em sua reflexão. Diante de um mundo fragilizado por desigualdades e pela degradação ambiental, ele fez um apelo claro à responsabilidade coletiva.

“Com coragem, simpatia e ternura, ajudemos a juventude a enfrentar o futuro.”

Outro ponto central abordado foi a compreensão da diversidade juvenil. Em sintonia com a linguagem da Igreja no Brasil, Dom Armando destacou que não existe uma única juventude, mas uma pluralidade de experiências, culturas e contextos que exigem uma abordagem mais sensível e próxima.

“Falamos de juventudes, porque existem tantas expressões.”

A reflexão também ganhou um tom pessoal ao recordar sua caminhada ao lado dos jovens ao longo da vida. Desde a própria juventude até o ministério como padre e bispo, ele destacou especialmente sua experiência nos sertões da Bahia, onde encontrou jovens marcados pela força, pela inteligência e pela capacidade de sonhar, mesmo em contextos de vulnerabilidade social.

“Vi uma juventude bela, inteligente, com olhos que vibravam e sonhavam.”

Ele também relembrou histórias concretas de jovens da zona rural que alcançaram níveis elevados de formação acadêmica, como mestrado e doutorado, evidenciando que, quando há incentivo e oportunidade, o potencial das juventudes floresce e transforma realidades.

Encerrando sua reflexão, Dom Armando retomou uma mensagem que acompanha sua trajetória pastoral e que sintetiza sua visão sobre a vida e sobre a missão com os jovens.

“Acreditem, lutem. A vida não é fácil, mas é bela.”

 

No contexto da missão da Igreja no Brasil, especialmente no trabalho com juventudes e vocações, a fala do bispo reforça que caminhar com os jovens não é apenas uma opção pastoral, mas um compromisso urgente com o presente e com o futuro. As juventudes seguem como uma força viva, pulsante e capaz de transformar a sociedade, desde que sejam verdadeiramente acolhidas, formadas e incentivadas a sonhar grande.


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