Publicidade
Jesuítas apresentam relatório global e reforçam compromisso com justiça social, ecologia integral e defesa da dignidade humana
Relatório anual da Secretaria de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus reúne iniciativas desenvolvidas nos cinco continentes e revela uma missão global marcada pela defesa dos migrantes, cuidado com a Casa Comum, combate às desigualdades e fortalecimento das redes de solidariedade.
Por Murilo Galhardo
Publicado em 15/05/2026 16:32 • Atualizado 15/05/2026 16:47
Jesuítas
Arte de divulgação da Publicação integral do Relatório Anual de 2025

Clique aqui para ver o Relatório Anual de 2025

Relatório anual da Secretaria de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus reúne iniciativas desenvolvidas nos cinco continentes e revela uma missão global marcada pela defesa dos migrantes, cuidado com a Casa Comum, combate às desigualdades e fortalecimento das redes de solidariedade.

A Companhia de Jesus apresentou o SJES Annual Report 2025, relatório anual da Secretaria de Justiça Social e Ecologia dos Jesuítas, um documento que atravessa diferentes realidades do mundo e mostra como a missão inaciana continua sustentada pela esperança em meio às crises sociais, políticas, ambientais e humanitárias da atualidade. O material reúne experiências, desafios e iniciativas desenvolvidas em todos os continentes, revelando uma ampla rede internacional comprometida com a promoção da justiça, da reconciliação e do cuidado com a criação.

Logo nas primeiras páginas, a publicação recorda uma das afirmações centrais da Congregação Geral 32 da Companhia de Jesus: “A missão da Companhia de Jesus hoje é o serviço da fé, do qual a promoção da justiça constitui uma exigência absoluta.” A frase não aparece apenas como uma citação histórica, mas como um eixo que atravessa toda a atuação das obras jesuítas no mundo contemporâneo.

Na mensagem de abertura, o Superior Geral dos Jesuítas, Padre Arturo Sosa, destaca que a missão da justiça social hoje exige colaboração global, trabalho em rede e uma resposta concreta diante dos grandes desafios da humanidade. Ele ressalta a importância das parcerias entre instituições religiosas, organizações sociais, universidades, movimentos e organismos internacionais para enfrentar questões como migração forçada, mudanças climáticas, mineração predatória e acesso à educação de qualidade.

“O compromisso com a justiça e a reconciliação fortalece a missão da Igreja no mundo e reafirma o chamado da Companhia de Jesus a servir onde a dignidade humana está ameaçada.”

A afirmação do Superior Geral da Companhia de Jesus ajuda a compreender o horizonte da atuação jesuíta diante das grandes crises globais. O relatório apresenta um cenário marcado pelo aumento das desigualdades estruturais, pelo crescimento dos deslocamentos forçados, pela crise climática e pela fragilidade de políticas públicas voltadas aos mais pobres. Mesmo diante desse contexto, o texto demonstra que as redes jesuítas seguem ampliando sua presença junto às populações vulneráveis, fortalecendo iniciativas de advocacy, formação, assistência humanitária e ecologia integral.

Na América Latina e Caribe, a CPAL (Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e Caribe) destacou o fortalecimento das redes continentais, especialmente na área socioambiental. O relatório menciona a formação de quase 200 pessoas no programa de Ecologia Integral e Justiça Socioambiental, além da ampliação das articulações voltadas à Amazônia e à continuidade das mobilizações internacionais por justiça climática após a COP30, realizada em Belém. Também ganha destaque a colaboração entre diferentes redes jesuítas, incluindo a Rede Latino-Americana e Caribenha de Rádio, apontada como instrumento estratégico para fortalecer a comunicação da missão e aproximar as províncias das grandes causas sociais e ecológicas do continente.

Outro ponto forte do documento é o olhar sobre os migrantes e refugiados. Em diversas regiões do planeta, os Jesuítas denunciam o endurecimento das políticas migratórias, a criminalização das pessoas em situação de deslocamento e o crescimento de discursos nacionalistas que alimentam a desumanização de povos inteiros. Ao mesmo tempo, o relatório mostra uma Igreja que permanece ao lado dos que sofrem, promovendo acolhida, proteção e defesa de direitos.

Na África e Madagascar, por exemplo, projetos ligados ao acesso à água potável, saneamento básico e fortalecimento comunitário foram apresentados como sinais concretos de esperança em regiões marcadas por pobreza extrema e conflitos sociais. Já na Ásia, os Jesuítas relataram ações voltadas à adaptação climática, apoio a refugiados e formação de comunidades resilientes diante das transformações ambientais e políticas.

O relatório também chama atenção para o crescimento da consciência ecológica dentro da Companhia de Jesus. Em diferentes conferências, aumentam os projetos ligados à ecologia integral, transição energética, proteção de territórios indígenas e combate aos impactos da mineração e do desmatamento. A Amazônia aparece como um espaço prioritário da missão, tanto pela urgência ambiental quanto pela defesa dos povos originários e comunidades tradicionais.

“A crise climática já não pertence ao futuro. Ela atravessa o presente das populações mais vulneráveis e exige respostas globais marcadas pela solidariedade, pela escuta e pela responsabilidade compartilhada.”

Na Europa, os Jesuítas reforçaram iniciativas de advocacy ligadas às futuras gerações, à justiça climática e ao acolhimento de refugiados da guerra na Ucrânia. Já no Canadá e nos Estados Unidos, a publicação aponta preocupação com o crescimento de discursos anti-imigração e o enfraquecimento de políticas sociais, mas destaca a forte mobilização das redes jesuítas em campanhas públicas, mobilizações de oração e ações de conscientização.

O documento termina reafirmando que a missão jesuíta não se limita à assistência imediata, mas busca transformar as estruturas que geram exclusão, violência e destruição ambiental. Por isso, a atuação da Global Ignatian Advocacy Network  (GIAN) é apresentada como um esforço mundial para unir escolas, universidades, rádios, centros sociais, paróquias e obras inacianas em torno de uma mesma missão: promover uma fé que busca a justiça.

“A esperança, para a missão jesuíta, não nasce da negação das crises, mas da capacidade de permanecer ao lado das populações mais feridas do mundo.”

Mais do que um balanço institucional, o SJES Annual Report 2025 se apresenta como um testemunho de esperança em tempos marcados por profundas crises globais. Um chamado para que a fé continue caminhando lado a lado com a defesa da vida, da dignidade humana e do cuidado com a Casa Comum.

Comentários

Mais notícias