Publicidade
Como a Companhia de Jesus está levando ajuda concreta às vítimas dos terremotos na Venezuela
Campanha “A missão é a Venezuela – Emergência 2026” articula centros de acolhida, voluntários, universidades, escolas, tecnologia, redes internacionais e doações para responder à emergência e sustentar a reconstrução das comunidades atingidas
Por Murilo Galhardo
Publicado em 09/07/2026 16:53 • Atualizado 09/07/2026 17:20
Jesuítas
Campanha "A Missão é a Venezuela"

A solidariedade da Companhia de Jesus com a Venezuela não está acontecendo apenas em comunicados ou campanhas de sensibilização. Ela está sendo organizada no território, com centros de acolhida, voluntários, triagem de donativos, envio de insumos, apoio às comunidades educativas, acompanhamento psicossocial e uma rede internacional de doações para manter a ajuda chegando onde a necessidade é maior.

Depois dos fortes terremotos que atingiram a região centro-norte e centro-ocidental da Venezuela em 24 de junho, a Província Jesuíta do país ativou o Protocolo de Emergência da CPAL, a Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe. A medida não é apenas administrativa. Ela serve para coordenar a resposta, evitar improvisações, organizar os recursos e garantir que a ajuda seja canalizada com responsabilidade, prudência e transparência.

Na prática, a campanha “A missão é a Venezuela – Emergência 2026” reúne obras jesuítas, instituições educativas, centros sociais, voluntários, benfeitores e redes internacionais em um mesmo esforço. A resposta começa pela ajuda humanitária imediata, mas também olha para a recuperação das comunidades, a retomada de serviços básicos e a criação de capacidades locais para lidar com riscos e novas emergências.

Um dos exemplos mais concretos dessa mobilização vem da Universidade Católica Andrés Bello, a UCAB. No campus de Montalbán, em Caracas, a rotina acadêmica deu lugar a uma grande operação humanitária. Em poucos dias, a comunidade universitária arrecadou, classificou e despachou mais de 50 toneladas de insumos essenciais, com a participação de mais de 500 voluntários. A ajuda reuniu água mineral, alimentos não perecíveis, medicamentos, materiais de primeiros socorros, roupas, mantas e ferramentas de resgate.

Esse material não ficou parado em depósitos. Segundo a própria rede Unidos en la Misión, dez caminhões já foram mobilizados para levar os donativos a pontos críticos, como centros de bombeiros, unidades assistenciais, refúgios e regiões afetadas em La Guaira, Catia La Mar, El Junquito, El Paraíso, San Bernardino, Caricuao, Guarenas e outras áreas atingidas.

A ação também passa pelo Colégio San Ignacio, em Caracas, onde foi instalado um centro de acolhida e organização de donativos nos espaços da Casa Loyola. Ali, voluntários trabalham diariamente na recepção, separação, embalagem e despacho da ajuda. O centro recebeu alimentos, água potável, medicamentos, materiais médicos, itens de higiene, produtos de limpeza, roupas, calçados e mantas. Parte dessa ajuda já foi destinada a centros de acopio, unidades de saúde, grupos de resgate, comunidades afetadas e famílias desabrigadas.

Outro ponto importante é o uso da tecnologia para dar mais eficiência e transparência à distribuição. Voluntários ligados ao Centro de Acopio do Colégio San Ignacio desenvolveram uma aplicação digital para organizar pedidos de ajuda e ofertas de doação. A ferramenta permite que pessoas preencham formulários indicando o que precisam ou o que podem doar. No sistema interno, as solicitações são registradas em tempo real, gerando ordens de despacho e permitindo o controle do inventário. A proposta é acompanhar cada doação, da origem ao destino, com mais rastreabilidade e responsabilidade.

A Companhia de Jesus também atua por meio de sua ampla rede educativa. Fe y Alegría Venezuela, obra ligada à tradição jesuíta de educação popular, iniciou uma avaliação rápida dos danos nas suas comunidades escolares. Até o momento, foram recebidos 133 reportes de instalações educativas, com 53 unidades afetadas e cerca de 30 centros com danos moderados ou consideráveis. As avaliações técnicas continuam para definir prioridades de recuperação e reconstrução.

A emergência, porém, não é apenas estrutural. Ela atinge diretamente vidas, famílias e comunidades. Fe y Alegría informou a morte de 12 estudantes de suas comunidades, além de famílias que perderam suas casas e dificuldades para localizar parte dos alunos em algumas regiões. Diante disso, vários centros educativos seguem acolhendo famílias afetadas, enquanto equipes locais oferecem acompanhamento psicossocial e comunitário.

Por isso, a ajuda precisa continuar. A primeira resposta é essencial para salvar vidas, alimentar, abrigar e cuidar dos feridos. Mas a reconstrução será mais longa. Será preciso recuperar escolas, reabrir espaços seguros de aprendizagem, apoiar famílias, reconstruir vínculos comunitários e manter a presença junto aos mais vulneráveis quando a tragédia deixar de ocupar as manchetes.

A rede internacional da Companhia de Jesus também participa dessa resposta. A ação é liderada desde a Venezuela, mas conta com articulação da Red Claver, da Xavier Network, do Serviço Jesuíta a Refugiados e de outras organizações jesuítas, para que os recursos e capacidades sejam mobilizados de forma coordenada, complementar e a serviço das comunidades atingidas.

Como ajudar mais e melhor

No Brasil, a Província dos Jesuítas participa oficialmente da campanha e recebe doações para apoiar as ações coordenadas pela Província da Venezuela, com apoio da CPAL e da Red Claver. A forma mais direta de ajudar é contribuir financeiramente pelos canais oficiais, pois isso permite que as equipes locais comprem e distribuam aquilo que é mais urgente em cada etapa da emergência.

Pix
Chave: doeagora@jesuitas.org.br
Favorecido: Província dos Religiosos Jesuítas do Brasil
Instituição: Itaú Unibanco S.A.

Transferência bancária
Banco Itaú
Agência: 0389
Conta Corrente: 0098865-0
Razão Social: Província Religiosa Jesuítas do Brasil
CNPJ: 20.846.050/0001-00

Também é possível ajudar divulgando os canais oficiais, mobilizando comunidades, paróquias, escolas, grupos pastorais, empresas e amigos. A campanha pede uma solidariedade que não seja apenas imediata, mas perseverante. O maior desafio, como destacou a CPAL, será manter a ajuda quando a emergência deixar de ser notícia.

A missão, agora, é transformar compaixão em compromisso. Cada doação pode se tornar alimento, água, remédio, abrigo, transporte, cuidado, escola reconstruída e esperança devolvida. A Companhia de Jesus já está no território, com suas obras, voluntários e redes de apoio. O convite é para que mais pessoas se somem a esse caminho de cuidado.

Na Venezuela, a solidariedade precisa continuar chegando. E cada gesto pode ajudar a reconstruir não apenas paredes, mas vidas.

Comentários

Mais notícias