Às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo, 25 de outubro, uma sequência de publicações direcionadas às mulheres católicas apresenta uma provocação: de que maneira a fé pode ajudar a reconhecer, entre discursos e promessas, quem realmente trabalha pelo bem comum?
Com imagens da Sagrada Família, de São João Paulo II e de São Francisco de Assis, o material relaciona ensinamentos cristãos a questões concretas da sociedade brasileira, como o combate à fome, os direitos dos trabalhadores, a proteção da infância, o respeito aos povos indígenas e a preservação do meio ambiente.
A mensagem central é que a fé não pode ficar restrita às palavras, mas precisa encontrar expressão nas atitudes e no cuidado com o próximo.
O Evangelho como critério de escolha
Uma das publicações apresenta a passagem do Evangelho de Mateus em que Jesus afirma: "Tive fome e me destes de comer" (Mt 25,35). A partir dela, o material convida o eleitor a considerar o compromisso dos candidatos com a segurança alimentar e o enfrentamento da pobreza.
Outra imagem recorda São José, que sustentou a Sagrada Família por meio de seu trabalho, para propor uma reflexão sobre salário digno, descanso e direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores.
A defesa da vida também ganha destaque. Inspirada nos ensinamentos de São João Paulo II, uma das peças amplia essa discussão para além do nascimento, incluindo o cuidado com as crianças, as mães, os idosos e as pessoas enfermas.
O mesmo Papa é lembrado por sua defesa dos povos indígenas. Durante uma visita a Manaus, em julho de 1980, João Paulo II reconheceu a importância de garantir aos povos originários o direito de viver em seus territórios com paz, segurança e respeito à própria identidade.
Já a figura de São Francisco de Assis aparece como referência para o cuidado com a criação, lembrando que a responsabilidade pela natureza também faz parte do compromisso cristão.
Uma reflexão que encontra eco na Igreja
O debate apresentado nas imagens dialoga com outras iniciativas de organizações católicas brasileiras neste período eleitoral.
Em julho, a Cáritas Brasileira lançou a campanha Nosso Voto É Potente, com ações de comunicação popular, formação política e mobilização cidadã, incentivando a participação democrática e a defesa de direitos sociais.
Mais recentemente, em 16 de outubro, mais de 30 pastorais, organismos e articulações nacionais divulgaram um manifesto em defesa da vida digna e da Casa Comum.
Entre as entidades que assinam o documento estão a Comissão Pastoral da Terra, a Conferência dos Religiosos do Brasil, o Conselho Indigenista Missionário, a Cáritas Brasileira e a Pastoral da Criança.
A carta destaca a necessidade de fortalecer políticas de saúde, assistência social, moradia, geração de empregos e proteção ambiental, além de incentivar a participação da população nas eleições.
Embora não exista confirmação de que essas organizações sejam responsáveis pelas artes, as iniciativas compartilham a preocupação de relacionar a experiência da fé com a responsabilidade social e a participação política.
Mais do que palavras, atitudes
A sequência de imagens termina recuperando uma orientação de Jesus no Evangelho de Mateus: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7,16).
A passagem inspira a pergunta que atravessa toda a publicação: o que deve pesar mais na escolha de um representante, aquilo que ele afirma acreditar ou aquilo que efetivamente realiza?
Sem apresentar números de candidatos ou siglas partidárias, o material propõe que a consciência cristã considere a trajetória, as propostas e as consequências das decisões políticas para toda a sociedade, especialmente para as pessoas mais vulneráveis.
Em tempos de disputas eleitorais marcadas também pelo uso de símbolos e discursos religiosos, a reflexão convida os fiéis a reconhecerem que o compromisso com o Evangelho não termina na oração.
Ele também se manifesta nas escolhas que fazemos e na responsabilidade que assumimos pela vida dos outros.