Jesuíta explica sentido dos Exercícios Espirituais da Cúria Romana
Em entrevista à Rádio Amar e Servir, padre Laércio de Lima, SJ, aprofunda a importância do retiro quaresmal do Papa e seus colaboradores, sob o tema: “ Iluminados por uma glória escondida”
Por Jéssica Maia
Publicado em 11/02/2026 14:59
Igreja
Foto: Vatican Media

Os Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano terão início no domingo, 22 de fevereiro, às 17h, na Capela Paulina, com a presença do Papa, dos cardeais residentes em Roma e dos responsáveis pelos Dicastérios. Segundo a Prefeitura da Casa Pontifícia, a pregação deste ano será conduzida por dom Erik Varden, bispo de Trondheim, na Noruega, monge da Ordem Cisterciense Trapista da Estrita Observância, que conduzirá as meditações sob o tema “Iluminados por uma glória escondida”.

De segunda-feira (23) até 27 de fevereiro, estão previstas duas meditações diárias: às 9h, precedidas pela Hora Média, e às 17h, seguidas pela Adoração Eucarística e pelas Vésperas. A primeira reflexão será dedicada ao tema “Entrar na Quaresma”, seguida por meditações inspiradas em São Bernardo — “São Bernardo, idealista” (23/02) e “São Bernardo realista” (26/02) — além de reflexões sobre a ajuda de Deus, a liberdade interior, o esplendor da verdade, a proteção divina, os anjos de Deus e, ao final, a meditação conclusiva sobre “Comunicar a esperança”.

Um tempo de unidade profunda na Igreja

Para aprofundar o significado desse momento, a Rádio Amar e Servir conversou com o padre Laércio de Lima, SJ, secretário para colaboração, fé e espiritualidade da Província dos Jesuítas do Brasil. O jesuíta destacou que o retiro da Cúria Romana é um momento de profunda comunhão e conversão para toda a Igreja.

Segundo ele, quando o Papa e os colaboradores da Cúria entram em retiro, toda a Igreja participa espiritualmente desse movimento de oração:

“É um momento muito bonito e profundo, porque o Santo Padre, com cardeais, bispos, padres, religiosos e leigos que trabalham na Cúria, estão unidos em oração neste tempo tão forte da Quaresma, que é um convite profundo à conversão, a um voltar ao eixo.”

Padre Laércio recorda que a Igreja inteira colhe os frutos desse tempo de silêncio e escuta de Deus:

“Saber que o Papa e a Cúria estão unidos, em silêncio, voltados todos com o olhar e os sentidos para Cristo, faz com que a Igreja toda receba esses frutos, porque sem oração não há vida, não há frutos na Igreja.”

Ele também recordou uma expressão recorrente do Papa Francisco, reforçando o caráter espiritual da missão eclesial:

“A Igreja não é uma ONG que só faz coisas; ela tem uma vida espiritual, é movida pelo Espírito e tem o objetivo de parecer cada vez mais com Cristo.”

A riqueza dos carismas na vida espiritual da Igreja

O jesuíta também chamou atenção para a escolha do pregador deste ano, um monge trapista, sinal da diversidade espiritual presente na Igreja.

“É bonito ver a riqueza da Igreja e dos diversos carismas. Nós, jesuítas, trabalhamos com os Exercícios de Santo Inácio, mas há vários tipos de retiro. Ver que este ano quem conduz o retiro do Papa é um monge trapista mostra a grande riqueza da vida espiritual da Igreja.”

Segundo padre Laércio, essa pluralidade sempre esteve presente, inclusive no pontificado do Papa Francisco, também jesuíta e que convidou pregadores de diferentes espiritualidades ao longo dos anos.

“Iluminados por uma glória escondida”

O tema escolhido por dom Erik Varden aponta para a vida interior e para a redescoberta da ação de Deus no silêncio. O retiro terá também meditações inspiradas em São Bernardo, monge cisterciense e reformador da vida monástica.

Para o padre Laércio, a escolha reforça a continuidade do caminho espiritual vivido pela Igreja nos últimos anos, especialmente o destaque dado à esperança:

“O retiro terminará com o tema ‘Comunicar a esperança’. Isso mostra como o pontificado de Leão segue em continuidade com o de Francisco, sobretudo após o Ano Jubilar da Esperança.”

Ele acrescenta que as reflexões deverão provocar um olhar renovado para a vida pessoal e eclesial:

“Certamente será um retiro voltado para a vida interior e para as reformas necessárias e possíveis na nossa vida e na vida da Igreja. Será um tempo bastante iluminador.”

Um convite para toda a Igreja

Embora vivido de modo particular pelo Papa e pela Cúria Romana, os Exercícios Espirituais da Quaresma se tornam também um convite para todo o povo de Deus.

 

Ao acompanhar este tempo de oração, a Igreja é chamada a entrar no mesmo movimento de silêncio, conversão e esperança que marca o caminho quaresmal, deixando-se iluminar pela glória de Deus que muitas vezes se revela de forma escondida no cotidiano.

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