A Igreja recorda neste 11 de fevereiro os 97 anos da assinatura do Tratado de Latrão, acordo histórico que encerrou a chamada “Questão Romana” e reconheceu oficialmente a soberania da Santa Sé, dando origem ao Estado da Cidade do Vaticano.
Firmado em 1929 na Basílica de São João de Latrão, em Roma, o acordo foi composto por dois documentos: o Tratado, que reconheceu a independência e soberania da Santa Sé, e a Concordata, que passou a regular as relações civis e religiosas entre a Igreja e o Estado italiano.
O entendimento marcou o fim de um conflito que se prolongou por mais de cinquenta anos e inaugurou um novo estilo de relacionamento entre Igreja e Estado, caracterizado pela lealdade, cordialidade e colaboração, respeitando a autonomia de cada esfera.
Ao longo das décadas, a relevância do Tratado de Latrão foi reafirmada pela própria Igreja. Na véspera da abertura do Concílio Vaticano II, em 1962, o então cardeal Giovanni Battista Montini — futuro Papa Paulo VI — classificou os acontecimentos que levaram ao fim do Estado Pontifício como um fato providencial. Posteriormente, os documentos conciliares confirmaram essa visão, destacando que a nova configuração favoreceu a missão espiritual da Igreja no mundo.
Com o acordo, a Santa Sé recebeu amplas garantias para exercer sua missão universal, enquanto a Igreja na Itália obteve instrumentos legais para desenvolver sua ação pastoral, educativa e caritativa, além de assegurar a liberdade de culto e organização eclesial.
Para a sociedade italiana, o tratado também representou um novo tempo de participação dos católicos na vida pública, contribuindo para a reconstrução social após a Segunda Guerra Mundial e fortalecendo iniciativas nas áreas da educação, assistência social e promoção humana.
Desde então, consolidou-se um modelo de colaboração baseado na independência e soberania de Igreja e Estado, comprometidos com a promoção do bem comum e do desenvolvimento integral da pessoa humana.
Passados 97 anos, o Tratado de Latrão permanece como marco histórico nas relações entre a Santa Sé e a comunidade internacional, testemunhando a importância do diálogo e da cooperação em favor da sociedade.
Com informações Vatican News