Na Audiência Geral desta quarta-feira, 18 de fevereiro, realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II. Desta vez, o Pontífice refletiu sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, que aborda a identidade e a missão da Igreja.
Aprovado em 1964, o documento utiliza o termo “mistério”, inspirado nas Epístolas de São Paulo, para explicar a natureza da Igreja. Segundo o Papa, essa expressão não indica algo obscuro, mas uma realidade antes escondida e agora revelada no plano de Deus para a humanidade.
O Santo Padre destacou que o projeto divino tem como objetivo “unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo”, consumada na sua morte e ressurreição. Essa experiência, explicou, torna-se visível especialmente na assembleia reunida para a celebração litúrgica, onde as diferenças são relativizadas pela força do amor de Cristo.
Leão XIV recordou que a humanidade vive uma condição de fragmentação que, por si só, não consegue superar. “É nesta condição que entra em ação a obra de Jesus Cristo, que vence as forças da divisão”, afirmou. Reunir-se para rezar e acolher o anúncio do Evangelho é, portanto, resposta a um chamado de Deus, que convoca o seu povo a formar a ekklesia, a assembleia dos que foram chamados.
Igreja, sacramento de unidade
Durante a catequese, o Papa explicou que o Concílio Vaticano II apresenta a Igreja como “sacramento”, isto é, sinal visível e instrumento da união com Deus e da unidade de toda a humanidade. Ao utilizar esse termo, o Concílio ressalta que a Igreja manifesta, na história, aquilo que Deus deseja realizar para todos.
O Pontífice também destacou que a Igreja é um “sinal ativo”, pois Deus envolve as pessoas na sua ação salvadora. Assim, por meio da Igreja, Deus continua a reunir os seres humanos e conduzi-los à comunhão com Ele e entre si.
“A união com Deus encontra o seu reflexo na união das pessoas humanas. Esta é a experiência da salvação”, afirmou o Papa, recordando que a própria Lumen Gentium descreve a Igreja como “sacramento de salvação”.
Sinal de reconciliação no mundo
Ao concluir a catequese, Leão XIV sublinhou que o documento conciliar ajuda a compreender a relação entre a Páscoa de Jesus e a identidade da Igreja. O Santo Padre convidou os fiéis a renovarem a gratidão por pertencer ao povo de Deus.
Segundo ele, a Igreja vive na história “como uma presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada”, sendo chamada a tornar-se “sinal efetivo de unidade e reconciliação entre os povos”.
Com informações Vatican News