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Assembleia Nacional celebra 25 anos da Pastoral do Povo da Rua e reforça compromisso da Igreja com os mais vulneráveis
Encontro realizado em Santos reuniu agentes pastorais, lideranças sociais e jovens de diversas regiões do Brasil para refletir sobre os desafios da população em situação de rua.
Por Murilo Galhardo
Publicado em 11/03/2026 17:57 • Atualizado 11/03/2026 17:59
Sociedade e mundo
Assembleia Nacional da Pastoral do Povo da Rua | Foto: Giovani do Carmo

Representantes de diferentes regiões do país participaram da Assembleia Nacional da Pastoral do Povo da Rua, encontro que marcou os 25 anos de caminhada da pastoral no Brasil. A assembleia reuniu agentes pastorais, religiosos, lideranças sociais e jovens comprometidos com a defesa da dignidade das pessoas em situação de rua e com a construção de uma sociedade mais justa.

Com o tema “Basta de violência social e ambiental: caminhemos com o povo da rua na casa comum”, o encontro promoveu momentos de partilha, reflexão e articulação entre iniciativas que atuam diretamente junto à população em situação de rua. O objetivo foi fortalecer a missão da pastoral e ampliar o diálogo sobre os desafios enfrentados diariamente por quem vive nas ruas das cidades brasileiras.

O que é a Pastoral do Povo da Rua

A Pastoral do Povo da Rua é uma iniciativa da Igreja Católica que atua diretamente junto às pessoas que vivem em situação de rua. Inspirada pelo Evangelho e pela tradição social da Igreja, a pastoral tem como missão estar presente nas ruas, ouvir histórias de vida e caminhar junto com essa população na busca por dignidade, cidadania e garantia de direitos.

Entre as atividades desenvolvidas estão a presença nas ruas, a escuta e o acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade, a articulação de redes de apoio, a distribuição de alimentos em situações emergenciais e o incentivo à organização das próprias pessoas em situação de rua para que se tornem protagonistas da própria história.

Segundo agentes da pastoral, o trabalho vai além da assistência imediata. A proposta é promover processos de transformação social, fortalecendo a consciência de direitos e estimulando a construção de caminhos coletivos para superar a exclusão.

Uma caminhada de 25 anos

A assembleia também foi um momento de celebrar os 25 anos da Pastoral Nacional do Povo da Rua. Durante o encontro, participantes recordaram a história da pastoral, que nasceu a partir da presença da Igreja junto às pessoas mais vulneráveis e ganhou força em diferentes regiões do Brasil.

O jesuíta padre Marcos Augusto, integrante da coordenação nacional da pastoral, destacou que caminhar com a população em situação de rua faz parte da própria experiência do Evangelho. Segundo ele, a espiritualidade cristã convida os fiéis a reconhecer a presença de Deus especialmente entre os mais pobres e abandonados.

“Caminhar com o povo da rua é fazer a experiência de caminhar com Jesus nas ruas das nossas cidades”, afirmou o sacerdote durante a assembleia.

Violência e invisibilidade social

Durante o encontro também foram debatidas as diversas

 formas de violência que atingem quem vive nas ruas. A falta de moradia, o acesso limitado a serviços básicos e a discriminação social fazem parte da realidade enfrentada diariamente por milhares de pessoas no Brasil.

O assessor da pastoral Luiz Corrêa destacou que a própria condição de viver nas ruas já representa uma grave violação de direitos. Segundo ele, muitas dessas pessoas enfrentam ainda situações de agressão, perda de pertences e dificuldades para acessar serviços públicos essenciais.

Juventude e protagonismo

Outro destaque da assembleia foi a presença de jovens ligados a diferentes iniciativas da Igreja, entre elas a Rede Inaciana de Juventude. A participação da juventude foi apontada como um sinal de esperança para a continuidade da missão da pastoral.

Para Giovani do Carmo Júnior, que participou da assemblei

a e realizou entrevistas para a Rádio Amar e Servir, a juventude tem um papel importante na defesa da dignidade humana e na construção de uma sociedade mais solidária.

Ele destacou que a energia e a esperança dos jovens podem contribuir para transformar realidades marcadas pela exclusão e pelo sofrimento.

Escuta e transformação

Histórias de vida também marcaram o encontro. Agentes pastorais que atuam há décadas junto à população em situação de rua compartilharam experiências de escuta, solidariedade e construção de caminhos coletivos.

Para muitos participantes, o trabalho da pastoral é também um caminho de transformação pessoal. Ao ouvir as histórias das pessoas que vivem nas ruas, os agentes pastorais afirmam que aprendem novas formas de enxergar a realidade e de compreender o valor da dignidade humana.

 

Ao final da assembleia, os participantes reafirmaram o compromisso de continuar caminhando ao lado da população em situação de rua, promovendo escuta, fraternidade, justiça social e esperança.

Com informações de Giovani do Carmo 

 

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