Representantes de diferentes regiões do país participaram da Assembleia Nacional da Pastoral do Povo da Rua, encontro que marcou os 25 anos de caminhada da pastoral no Brasil. A assembleia reuniu agentes pastorais, religiosos, lideranças sociais e jovens comprometidos com a defesa da dignidade das pessoas em situação de rua e com a construção de uma sociedade mais justa.
Com o tema “Basta de violência social e ambiental: caminhemos com o povo da rua na casa comum”, o encontro promoveu momentos de partilha, reflexão e articulação entre iniciativas que atuam diretamente junto à população em situação de rua. O objetivo foi fortalecer a missão da pastoral e ampliar o diálogo sobre os desafios enfrentados diariamente por quem vive nas ruas das cidades brasileiras.
O que é a Pastoral do Povo da Rua
A Pastoral do Povo da Rua é uma iniciativa da Igreja Católica que atua diretamente junto às pessoas que vivem em situação de rua. Inspirada pelo Evangelho e pela tradição social da Igreja, a pastoral tem como missão estar presente nas ruas, ouvir histórias de vida e caminhar junto com essa população na busca por dignidade, cidadania e garantia de direitos.
Entre as atividades desenvolvidas estão a presença nas ruas, a escuta e o acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade, a articulação de redes de apoio, a distribuição de alimentos em situações emergenciais e o incentivo à organização das próprias pessoas em situação de rua para que se tornem protagonistas da própria história.
Segundo agentes da pastoral, o trabalho vai além da assistência imediata. A proposta é promover processos de transformação social, fortalecendo a consciência de direitos e estimulando a construção de caminhos coletivos para superar a exclusão.
Uma caminhada de 25 anos
A assembleia também foi um momento de celebrar os 25 anos da Pastoral Nacional do Povo da Rua. Durante o encontro, participantes recordaram a história da pastoral, que nasceu a partir da presença da Igreja junto às pessoas mais vulneráveis e ganhou força em diferentes regiões do Brasil.
O jesuíta padre Marcos Augusto, integrante da coordenação nacional da pastoral, destacou que caminhar com a população em situação de rua faz parte da própria experiência do Evangelho. Segundo ele, a espiritualidade cristã convida os fiéis a reconhecer a presença de Deus especialmente entre os mais pobres e abandonados.
“Caminhar com o povo da rua é fazer a experiência de caminhar com Jesus nas ruas das nossas cidades”, afirmou o sacerdote durante a assembleia.

Violência e invisibilidade social
Durante o encontro também foram debatidas as diversas
formas de violência que atingem quem vive nas ruas. A falta de moradia, o acesso limitado a serviços básicos e a discriminação social fazem parte da realidade enfrentada diariamente por milhares de pessoas no Brasil.
O assessor da pastoral Luiz Corrêa destacou que a própria condição de viver nas ruas já representa uma grave violação de direitos. Segundo ele, muitas dessas pessoas enfrentam ainda situações de agressão, perda de pertences e dificuldades para acessar serviços públicos essenciais.
Juventude e protagonismo
Outro destaque da assembleia foi a presença de jovens ligados a diferentes iniciativas da Igreja, entre elas a Rede Inaciana de Juventude. A participação da juventude foi apontada como um sinal de esperança para a continuidade da missão da pastoral.
Para Giovani do Carmo Júnior, que participou da assemblei
a e realizou entrevistas para a Rádio Amar e Servir, a juventude tem um papel importante na defesa da dignidade humana e na construção de uma sociedade mais solidária.
Ele destacou que a energia e a esperança dos jovens podem contribuir para transformar realidades marcadas pela exclusão e pelo sofrimento.
Escuta e transformação
Histórias de vida também marcaram o encontro. Agentes pastorais que atuam há décadas junto à população em situação de rua compartilharam experiências de escuta, solidariedade e construção de caminhos coletivos.
Para muitos participantes, o trabalho da pastoral é também um caminho de transformação pessoal. Ao ouvir as histórias das pessoas que vivem nas ruas, os agentes pastorais afirmam que aprendem novas formas de enxergar a realidade e de compreender o valor da dignidade humana.
Ao final da assembleia, os participantes reafirmaram o compromisso de continuar caminhando ao lado da população em situação de rua, promovendo escuta, fraternidade, justiça social e esperança.
Com informações de Giovani do Carmo