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Leão XIV pede que jovens retomem o hábito de visitar os idosos
Em mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado em 26 de julho, o Papa recorda que ninguém deve ser esquecido e convida a Igreja a transformar presença em ternura concreta
Por Murilo Galhardo
Publicado em 15/06/2026 10:20
Papa
Leão XIV visita o lar de idosos "Santa Marta" em Castel Gandolfo, 21 de julho de 2025 | Vatican Media

O Papa Leão XIV divulgou, nesta segunda-feira, 15 de junho, a mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado em 26 de julho. Com o tema “Eu nunca te esquecerei”, inspirado no Livro do Profeta Isaías, o Pontífice faz um forte apelo para que a sociedade, a Igreja e especialmente os mais jovens redescubram a importância da proximidade, da visita e do cuidado com os idosos.

Logo no início da mensagem, Leão XIV recorda que Deus não se esquece de nenhum de seus filhos. Segundo o Papa, a promessa do Senhor nasce como resposta a uma dor muito presente no coração humano: a sensação de abandono. Para ele, esse sentimento atinge de modo particular muitos idosos, que vivem a solidão dentro de casa, em instituições de acolhimento ou mesmo no meio da própria família.

O Pontífice afirma que, em muitos casos, a vida dos idosos acaba sendo coberta por um “véu” que apaga seus rostos, suas histórias e sua dignidade. Nas casas onde reina a solidão e nos asilos onde a pessoa corre o risco de ser vista apenas pelo número do leito ou pela doença que carrega, a mensagem cristã precisa chegar como sinal concreto de presença.

Para Leão XIV, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para recordar que a Igreja é chamada a ser mãe de todos. Por isso, o Papa convida os jovens a retomarem o bom hábito de visitar seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita.

“Fazei com que as palavras do profeta ‘Eu nunca te esquecerei’ assumam a forma de um encontro terno e afetuoso”, pede o Papa.

A mensagem também chama atenção para os desafios de uma sociedade marcada pela pressa, pela fragmentação e por relações cada vez mais mediadas pela tecnologia. Leão XIV reconhece que a cultura digital amplia conexões e abre novas possibilidades de encontro, mas lembra que o coração humano continua necessitando de proximidade real, de mãos capazes de ternura, de escuta atenta e de palavras bondosas.

O Papa também denuncia uma realidade dolorosa: muitos idosos são vistos como peso, esquecidos pelos próprios filhos, deixados sozinhos ou afetados por uma economia que enfraquece os vínculos familiares. Em alguns contextos, idosos também sofrem com a migração forçada, a pobreza e até com as consequências da guerra.

Mesmo diante dessas realidades, Leão XIV aponta para a esperança. Segundo ele, nunca é tarde para iniciar ou retomar a vida espiritual. A velhice, muitas vezes vista apenas como etapa de perdas, pode se tornar também um tempo de reencontro com Deus, de conversão, de confiança e de oração.

Na parte final da mensagem, o Papa faz um pedido especial aos idosos: que se unam a ele em oração incessante pela paz no mundo. Em um tempo marcado por guerras, violência social e incertezas sobre o futuro das novas gerações, Leão XIV agradece aos idosos que sustentam a Igreja com suas preces, especialmente com a oração do Terço.

Ao concluir, o Pontífice deixa uma mensagem de fé e consolo: o Senhor nunca se esquece de nós. E a Igreja, ao celebrar o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, é chamada a transformar essa certeza em gestos concretos de cuidado, visita, escuta e amor.

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