O Papa Leão XIV afirmou que a prevenção de abusos deve ser compreendida como parte essencial da missão da Igreja. A declaração foi feita nesta segunda-feira (16), durante audiência com os participantes da Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, realizada na Sala do Consistório, no Vaticano.
Ao saudar os membros e colaboradores da Comissão, o Pontífice agradeceu o trabalho realizado na proteção de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo ele, trata-se de um serviço exigente, muitas vezes silencioso, mas fundamental para a vida da Igreja.
Leão XIV recordou que o Papa Papa Francisco decidiu integrar permanentemente o trabalho da Comissão na estrutura da Cúria Romana para evidenciar que a prevenção de abusos não é uma tarefa opcional, mas um compromisso constitutivo da missão eclesial.
“É um serviço essencial para a construção de uma autêntica cultura do cuidado”, afirmou o Pontífice, ressaltando que a prevenção não pode se limitar à criação de protocolos ou procedimentos administrativos.
Cultura do cuidado
Segundo o Papa, a verdadeira prevenção exige a formação de uma cultura eclesial em que a proteção dos menores e das pessoas vulneráveis seja entendida como expressão natural da fé cristã.
Esse processo, explicou, passa por uma conversão pastoral que exige escutar o sofrimento das vítimas e permitir que essa dor motive mudanças concretas nas estruturas e nas práticas da Igreja.
Leão XIV destacou que as experiências de vítimas e sobreviventes devem ser consideradas referências essenciais nesse caminho. Embora sejam relatos dolorosos, afirmou, eles revelam a verdade com força e ajudam a Igreja a crescer em humildade e responsabilidade.
“Reconhecendo a dor causada, abre-se um caminho crível de esperança e renovação”, disse.
Trabalho conjunto e abordagem multidisciplinar
O Pontífice também sublinhou a importância de uma abordagem multidisciplinar na prevenção de abusos. Como parte da Cúria Romana e vinculada ao Dicastério para a Doutrina da Fé, a Comissão mantém diálogo com diversos organismos da Igreja para fortalecer a prevenção e a vigilância disciplinar.
Leão XIV ressaltou ainda o valor do relatório anual elaborado pela Comissão, que classificou como um importante exercício de verdade, responsabilidade e esperança.
“A esperança impede-nos de cair no desânimo; a prudência protege-nos da improvisação e da superficialidade quando abordamos a prevenção de abusos”, afirmou.
Responsabilidade compartilhada
O Papa recordou também que os ordinários e superiores maiores têm responsabilidade direta na proteção de menores e pessoas vulneráveis, e que essa missão não pode ser delegada.
Segundo ele, a escuta e o acompanhamento das vítimas devem encontrar expressão concreta em cada comunidade e instituição eclesial. Ao mesmo tempo, reforçou que nenhuma Igreja local deve enfrentar essa tarefa sozinha, destacando a importância da solidariedade e da cooperação entre as comunidades.
Entre os desafios atuais, o Pontífice citou o desenvolvimento do conceito de vulnerabilidade e os riscos ligados ao abuso facilitado pelas tecnologias digitais. A leitura desses “sinais dos tempos”, explicou, ajuda a Igreja a responder com clareza pastoral e renovação estrutural.
Ao concluir, Leão XIV afirmou que a proteção de menores e pessoas vulneráveis não constitui uma área isolada da vida da Igreja, mas atravessa toda a sua missão.
“Cada passo dado neste caminho é um passo em direção a Cristo e a uma Igreja mais evangélica e autêntica”, finalizou.