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“Foi um período de muito aprendizado e de muita alegria”: Conheça o testemunho de acolhida da leiga inaciana Regina Paganini a uma família venezuelana
Leiga inaciana de Iconha (ES), Regina Paganini partilha como o discernimento em família e o contato com os jesuítas levaram ao acolhimento de refugiados em 2018, um gesto que transformou toda a comunidade
Por Jéssica Maia
Publicado em 21/03/2026 12:00
Igreja
Foto: Arquivo Pessoal

Em meio à crise migratória que marcou a realidade da Venezuela nos últimos anos, um gesto simples e profundo de acolhida, vivido no interior do Espírito Santo, tornou-se sinal concreto do Evangelho em ação. A leiga inaciana Regina Célia Rouponi Paganini, da cidade de Iconha (ES), partilha como sua família foi chamada, por meio do discernimento espiritual, a acolher uma família de refugiados venezuelanos em 2018.

“Foi um período de muito aprendizado e de muita alegria em nossa vida”, recorda Regina ao revisitar essa experiência, que nasceu no silêncio, na escuta e na abertura ao outro.

Um chamado que nasce da escuta

A iniciativa começou a tomar forma a partir do contato de Regina com jesuítas que atuavam junto aos refugiados em Boa Vista (RR). Sensibilizada pelos relatos, especialmente do padre Pedro Pereira, SJ ela passou a partilhar com sua família as histórias de dor, esperança e recomeço vividas por tantas pessoas que deixaram seu país em busca de dignidade.

“Essa experiência de olhar, de escutar atentamente para a necessidade do outro, foi mexendo muito comigo”, conta. Segundo ela, ninguém pediu diretamente que sua família acolhesse alguém, mas o testemunho dos missionários foi suficiente para despertar um movimento interior profundo.

Vivendo a Espiritualidade Inaciana, Regina reconhece nesse processo um verdadeiro caminho de discernimento: “É uma espiritualidade que nos move a enxergar as coisas com o coração, de verdade”.

A decisão em família

O passo concreto surgiu de forma inesperada, durante um almoço em família no Dia dos Pais. Um de seus filhos propôs: “por que não acolher uma família venezuelana?”

“A gente poderia acolher uma família, dar todo o suporte necessário, ajudar no começo e depois eles seguirem a vida deles aqui”, relembra.

A proposta foi acolhida por todos, esposo, filhos e até os netos como um gesto de esperança e de amor concreto. A partir daí, a família se mobilizou: alugou uma casa, providenciou móveis e organizou tudo para receber quem viria.

Todo o processo foi vivido com discrição. “Fizemos isso em silêncio, amadurecendo bem, sem decisões precipitadas”, explica Regina.

A chegada e a acolhida

Com o apoio dos jesuítas, que fizeram a ponte com os refugiados, uma família venezuelana foi encaminhada até Iconha. A chegada foi marcada por emoção e cuidado.

“Acolhemos, cuidamos e demos todo o apoio. Foi tudo muito lindo”, conta.

No domingo seguinte, a família foi apresentada à comunidade paroquial durante a missa, em um gesto simples, mas significativo. Sem expor nomes, o pároco apenas anunciou que uma família da comunidade havia acolhido refugiados.

A partir dali, iniciou-se um caminho de integração: busca por emprego, inserção na escola e participação na vida da Igreja. “Hoje eles fazem parte da nossa comunidade e só nos dão alegria”, afirma Regina.

Um gesto que se multiplicou

A experiência vivida pela família de Regina não ficou isolada. Pelo contrário, tornou-se inspiração para toda a paróquia.

“Muitas outras famílias começaram a acolher também”, relata. O tema ganhou força a ponto de se tornar prioridade em assembleia paroquial naquele mesmo ano.

Assim, o acolhimento deixou de ser apenas uma iniciativa individual e passou a ser um compromisso comunitário, envolvendo diferentes grupos e pastorais.

Desafios e perseverança

Em 2020, um novo desafio marcou essa caminhada: uma enchente devastadora atingiu a cidade de Iconha, afetando também famílias venezuelanas que estavam reconstruindo suas vidas.

“Foi um momento muito difícil. Muitas famílias perderam tudo novamente”, recorda.

Apesar das dificuldades, a comunidade permaneceu unida. Algumas famílias seguiram para outras cidades, mas muitas permaneceram, fortalecendo ainda mais os laços construídos.

Uma experiência que transforma

Quase oito anos depois, Regina olha para trás com gratidão. Para ela, o acolhimento não foi apenas uma ajuda oferecida, mas uma experiência que transformou profundamente sua família e toda a comunidade.

 

“Eles hoje fazem parte da nossa paróquia, participam de tudo e só nos dão alegria”, afirma.

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