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Aos pés de Maria, Papa Leão XIV convoca o mundo a desarmar o coração
No encerramento do mês mariano, o Pontífice presidirá o Terço pela Paz neste sábado, 30 de maio, a partir da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano. O gesto nasce como resposta espiritual à violência que fere povos, famílias e nações, e convida os santuários do mundo inteiro a se unirem em uma mesma súplica: que a paz volte a ser possível
Por Murilo Galhardo
Publicado em 29/05/2026 13:37 • Atualizado 29/05/2026 14:36
Igreja
Papa Leão | Vatican News

Há convites que não são apenas convites. São apelos. São gritos de esperança lançados no meio da noite da história. Neste sábado, 30 de maio, o Papa Leão XIV volta a chamar a humanidade para um gesto simples, antigo e profundamente atual: rezar o terço pela paz.

A oração será presidida pelo Pontífice a partir da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, às 19h no horário de Roma, 14h no horário de Brasília. Os canais do Vatican News farão a transmissão ao vivo, com comentários em português, e os telões da Praça São Pedro também permitirão que os fiéis presentes em Roma acompanhem este momento de comunhão.

Mas por que o Papa faz este convite agora?

Porque a paz, em muitas partes do mundo, deixou de ser uma notícia e passou a ser uma saudade. Porque há povos inteiros vivendo sob a ameaça das armas. Porque crianças, idosos, famílias e inocentes continuam pagando o preço de conflitos que parecem não ter fim. Porque a guerra, quando se prolonga, não destrói apenas cidades: ela também fere a consciência humana, endurece os corações e acostuma o mundo à dor dos outros.

O convite de Leão XIV nasce dessa urgência. Ele não convoca a Igreja para uma oração distante da realidade, mas para uma oração mergulhada nela. Rezar pela paz, neste momento, não é fechar os olhos para o sofrimento do mundo. É abri-los diante de Deus. É reconhecer que a humanidade precisa de conversão, de diálogo, de justiça e de coragem para interromper a lógica da violência.

O gesto também retoma o forte apelo feito pelo Papa na Vigília de Oração celebrada em 11 de abril, na Basílica de São Pedro. Naquela ocasião, Leão XIV denunciou “a loucura da guerra” e a “idolatria de si mesmo e do dinheiro”, recordando que a violência muitas vezes nasce quando o ser humano transforma o poder, o lucro e o próprio ego em falsos deuses.

Ao afirmar que “quem reza não mata nem ameaça com a morte”, o Pontífice tocou no centro da fé cristã. A oração verdadeira não combina com ódio. O terço nas mãos não pode conviver com armas apontadas, palavras que ferem, discursos que desumanizam ou escolhas que sacrificam vidas inocentes. Quem se coloca diante de Deus é chamado a reconhecer no outro não um inimigo a ser eliminado, mas um irmão cuja vida precisa ser protegida.

Por isso, o Terço pela Paz deste sábado não será apenas uma devoção mariana. Será um sinal profético. Será a Igreja dizendo ao mundo que a paz não é ingenuidade, mas uma exigência do Evangelho. Será uma resposta espiritual à cultura da guerra, do descarte, da indiferença e da força bruta.

A escolha da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, dá ao momento uma dimensão ainda mais profunda. Aos pés de Maria, a Igreja apresenta as feridas da humanidade. Maria é a mãe que conhece a dor, que permanece de pé diante da cruz e que ensina a esperança quando tudo parece perdido. Rezar com Maria é pedir que ela conduza a humanidade de volta ao seu Filho, Jesus Cristo, o Príncipe da Paz.

No encerramento do mês mariano, o Papa quer transformar o mundo em um grande cenáculo de oração. Todos os santuários são convidados a se unir ao Vaticano. Entre os locais que já aderiram à iniciativa estão o Santuário da Bem-Aventurada Virgem do Rosário, em Fátima, Portugal; o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França; o Santuário de Nossa Senhora Rainha da Paz de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina; o Santuário da Mãe de Deus de Zarvanytsia, na Ucrânia; o Santuário Internacional de Nossa Senhora da Paz e da Boa Viagem de Antipolo, nas Filipinas; o Santuário de São Charbel Annaya de Byblos, no Líbano; e o Santuário Pontifício da Santa Casa de Loreto, na Itália.

No Brasil, o Santuário Nacional de Aparecida também se une a esta corrente de fé, colocando o povo brasileiro em comunhão com o Papa e com os fiéis de todo o mundo. Assim, de Roma a Aparecida, de Fátima a Lourdes, da Ucrânia ao Líbano, a oração se torna ponte entre povos feridos e esperança compartilhada.

O terço, oração simples e popular, carrega uma força silenciosa. Conta por conta, ele educa o coração para a perseverança. Mistério por mistério, ajuda o fiel a contemplar a vida de Cristo e a enxergar a história com os olhos da fé. Em tempos de guerra, rezar o terço é também insistir que a vida vale mais que os interesses, que o diálogo vale mais que a destruição e que nenhum povo deve ser condenado a viver debaixo do medo.

Neste sábado, cada Ave-Maria poderá carregar o nome de uma mãe que chora. Cada Pai-Nosso poderá trazer a dor de uma família deslocada. Cada Glória poderá ser uma afirmação de que Deus não abandona a humanidade, mesmo quando os homens parecem abandonar uns aos outros.

A paz precisa de decisões políticas responsáveis, de diplomacia, de justiça social e de compromisso internacional. Mas também precisa de corações desarmados. Precisa de pessoas capazes de romper a indiferença e de comunidades que não se cansem de pedir, construir e testemunhar a reconciliação.

É por isso que o Papa Leão XIV chama o mundo à oração. Não porque a oração substitua as ações concretas, mas porque ela sustenta, purifica e orienta essas ações. A oração impede que o coração se acostume com a violência. A oração recorda que a paz começa quando o ser humano deixa de se colocar no centro e volta a reconhecer Deus e o próximo.

Neste sábado, 30 de maio, às 14h no horário de Brasília, a Igreja inteira é convidada a parar. Parar para rezar. Parar para escutar. Parar para lembrar que a paz não é apenas ausência de guerra, mas presença de justiça, fraternidade e cuidado.

Do coração do Vaticano, aos pés de Maria, o Papa Leão XIV convoca o mundo a desarmar o coração. E quando o mundo se ajoelha para pedir a paz, ele começa, silenciosamente, a se levantar contra a guerra.

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