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Formação do Núcleo Lux Mundi debate abuso de poder e reforça cultura de prevenção na vida religiosa
Encontro no Centro Magis Anchietanum reúne religiosos e leigos para refletir sobre relações de poder e fortalecer práticas de cuidado e responsabilidade nas comunidades
Por Murilo Galhardo
Publicado em 05/05/2026 17:59 • Atualizado 05/05/2026 18:04
Igreja

A manhã e a tarde desta semana têm sido marcadas por um profundo momento de reflexão e formação no Centro Magis Anchietanum, onde acontece a formação do Núcleo Lux Mundi. A iniciativa reúne religiosos e leigos de diversas regiões do país com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre o abuso de poder na vida religiosa consagrada e fortalecer caminhos concretos de prevenção dentro da Igreja.

Direto da cobertura especial da Rádio Amar e Servir, o pastoralista Ryan Antonino, acompanhou de perto as atividades e destacou a importância do tema no contexto atual da Igreja. Segundo ele, o encontro se insere em um esforço contínuo de formação e conscientização, voltado tanto para a vivência comunitária quanto para a atuação pastoral nas diferentes realidades.

Entre os participantes está o frei Vinícius, frade capuchinho da Província São Francisco das Chagas, que abrange os estados do Ceará e Piauí. Ele ressalta que a formação vai além de um debate teórico, sendo essencial para a prática cotidiana da vida religiosa.

“É uma formação muito importante no âmbito da nossa vida religiosa, seja para o nosso atendimento pastoral, seja também para a nossa convivência interna. Também nos ajuda a apoiar outras comunidades e a exercer melhor nossas funções no cotidiano.”


Inspirado na proposta evangélica de ser sal da terra e luz do mundo, o Núcleo Lux Mundi busca justamente iluminar realidades delicadas que, por muito tempo, permaneceram ocultas ou pouco discutidas dentro das estruturas eclesiais. A formação propõe um olhar atento às relações humanas, especialmente aquelas marcadas por hierarquias e responsabilidades.

Outro destaque do encontro é a participação de leigos que atuam diretamente com a vida religiosa. É o caso de Maria Teresa, que trabalha oferecendo assessoria a congregações, especialmente na área de formação vocacional e prevenção de abusos. Para ela, a formação representa um passo essencial para qualificar ainda mais esse serviço.

“Estar aqui nesses três dias de formação sobre a realidade dos abusos, especialmente do abuso de poder, é algo muito importante para que eu possa colocar isso a serviço das congregações que acompanho.”

Durante as atividades, a formadora convidada, Ana Maria Amarante, trouxe uma reflexão central que tem norteado os debates: a compreensão de que as diversas formas de abuso têm, em sua raiz, o abuso de poder. A afirmação gerou forte repercussão entre os participantes e abriu espaço para um aprofundamento sobre as relações assimétricas dentro das comunidades.

Maria Teresa concorda com essa análise e explica que a dinâmica do poder é determinante para que situações de abuso aconteçam, muitas vezes de forma silenciosa e progressiva.

“Se não existe uma assimetria nas relações, alguém que se coloca como mais poderoso, não há como exercer abuso. Mas quando existe essa diferença, a pessoa pode ser induzida a fazer algo contra sua dignidade ou consciência sem perceber. Isso pode acontecer em diversas formas de abuso, inclusive o sexual, que muitas vezes tem como raiz justamente a questão do poder.”

A formação do Núcleo Lux Mundi segue ao longo dos próximos dias, promovendo escuta, partilha e aprofundamento sobre um tema urgente e necessário. A expectativa é que os participantes retornem às suas comunidades mais preparados para construir ambientes seguros, saudáveis e coerentes com os valores do Evangelho.

A Rádio Amar e Servir, em parceria com o Anchietanum, continuará acompanhando de perto o evento e trazendo atualizações sobre os principais temas debatidos, ampliando o alcance dessa reflexão para toda a comunidade.

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