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Papa pede que cristãos e muçulmanos transformem a indiferença em solidariedade
Em encontro com representantes do Instituto Real para Estudos Inter-religiosos da Jordânia, Papa Leão XIV alerta para o risco da perda da compaixão em um mundo hiperconectado e reforça a urgência do diálogo entre religiões como caminho de paz e fraternidade
Por Murilo Galhardo
Publicado em 12/05/2026 10:34
Igreja
O Papa Leão XIV durante encontro com representantes muçulmanos e líderes do diálogo inter-religioso no Vaticano, reforçando a importância da compaixão, da empatia e da paz entre os povos.

O Papa Leão XIV recebeu no Vaticano os participantes do oitavo colóquio promovido pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso em parceria com o Royal Institute for Inter-Faith Studies, fundado em Amã, na Jordânia, sob o patrocínio do príncipe El Hassan bin Talal. O encontro reuniu representantes cristãos e muçulmanos para refletir sobre o tema “Compaixão humana e empatia nos tempos modernos”, considerado pelo Pontífice uma das discussões mais urgentes do cenário atual.

Durante o discurso, o Papa destacou que a compaixão e a empatia não são elementos secundários das tradições religiosas, mas atitudes essenciais para a construção de uma humanidade verdadeiramente reconciliada. Segundo ele, tanto o cristianismo quanto o islamismo reconhecem o chamado de Deus para que o ser humano reflita sua bondade através de gestos concretos de cuidado, acolhida e solidariedade.


Ao aprofundar a visão cristã sobre o tema, Leão XIV recordou que, para os cristãos, a compaixão divina ganha rosto em Jesus Cristo. O Papa explicou que Deus não apenas observa o sofrimento humano, mas entra nele, assumindo a condição humana para caminhar ao lado dos que sofrem. Inspirados por Cristo, os cristãos são chamados a viver uma compaixão que significa “sofrer com” o outro, especialmente os mais pobres, excluídos e esquecidos.

“O amor aos pobres é a marca evangélica de uma Igreja fiel ao coração de Deus.”

O Pontífice também relacionou essa espiritualidade da compaixão às grandes crises humanitárias do presente. Em sua fala, elogiou o Reino Hachemita da Jordânia pelo acolhimento de refugiados e pelo esforço contínuo em ajudar populações vulneráveis, mesmo diante de contextos difíceis e marcados por conflitos.

Entretanto, o Papa fez um alerta contundente sobre um dos maiores desafios espirituais da atualidade: a indiferença. Segundo ele, embora os avanços tecnológicos tenham aproximado as pessoas de maneira inédita, também existe o risco de que o excesso de imagens, notícias e vídeos de sofrimento provoque anestesia emocional e desgaste da sensibilidade humana.

“O fluxo constante de imagens e vídeos das dificuldades alheias pode entorpecer nossos corações, em vez de comovê-los.”

Para Leão XIV, essa apatia silenciosa ameaça a própria capacidade humana de sentir empatia. Por isso, ele reforçou que cristãos e muçulmanos possuem hoje uma missão comum: reacender a humanidade onde ela esfriou, devolver dignidade aos que sofrem e transformar a indiferença em solidariedade concreta.

“Cristãos e muçulmanos são chamados a reavivar a humanidade onde ela se esfriou.”

Ao concluir sua mensagem, o Papa manifestou o desejo de que a Jordânia continue sendo um sinal vivo de diálogo, esperança e fraternidade em uma região marcada por tensões e provações. Ele também expressou esperança de que a colaboração entre as tradições religiosas não permaneça apenas no campo das palavras, mas se traduza em gestos concretos de paz, empatia e cuidado mútuo.

 

A audiência reforça mais uma vez o caminho que o pontificado de Leão XIV vem assumindo desde o início: uma Igreja comprometida com a cultura do encontro, com a promoção da paz e com a construção de pontes entre povos, religiões e culturas em um mundo cada vez mais marcado por divisões e extremismos.

Com informações de Vatican Media

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