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Uma só rede para defender a vida: GIAN inaugura nova plataforma global de incidência inaciana
GIANSJ.ORG reúne ecologia integral, justiça na mineração, migração forçada e direito à educação; em entrevistas à Rádio Amar e Servir, Pe. Roberto Jaramillo, SJ, e Tiffany Trejo apresentam a nova etapa da rede, que passa a ser parceira de conteúdo e informação da emissora
Por Murilo Galhardo
Publicado em 13/07/2026 16:00 • Atualizado 13/07/2026 18:22
Jesuítas

As grandes feridas do mundo contemporâneo não respeitam fronteiras. A crise climática altera o ciclo das chuvas, ameaça a produção de alimentos e atinge com maior força as populações que menos contribuíram para o aquecimento global. A exploração mineral movimenta riquezas e tecnologias, mas também pode deixar para trás rios contaminados, territórios destruídos e comunidades privadas do direito de decidir sobre o próprio futuro. Guerras, perseguições, desastres ambientais, pobreza extrema e instabilidade política obrigam milhões de pessoas a abandonar suas casas. Ao mesmo tempo, crianças, jovens e adultos ainda encontram barreiras que os impedem de exercer plenamente o direito à educação.

São problemas diferentes, mas profundamente conectados. Em todos eles, aparecem estruturas econômicas, sociais e políticas que concentram poder, silenciam comunidades e colocam interesses particulares acima da dignidade humana e do cuidado com a Casa Comum. Por isso, uma resposta verdadeiramente transformadora não pode permanecer fragmentada em instituições isoladas, projetos que não dialogam ou informações que nunca chegam aos lugares onde decisões são tomadas. É necessário ligar territórios, experiências, conhecimentos e vozes.

É nesse horizonte que a Global Ignatian Advocacy Network, a GIAN, apresenta sua nova plataforma digital, a GIANSJ.ORG. O ambiente foi criado para reunir iniciativas, campanhas, pesquisas, recursos formativos, experiências comunitárias e ações de incidência desenvolvidas em diferentes partes do mundo. A proposta não é apenas informar sobre os desafios enfrentados pelas comunidades, mas oferecer ferramentas para que pessoas e instituições possam compreendê-los, estabelecer alianças e agir de maneira coordenada.

A plataforma integra inicialmente os conteúdos e acervos do Ecojesuit, dedicado à ecologia integral, e da rede Justice in Mining, voltada ao acompanhamento das comunidades afetadas pela mineração. As iniciativas da GIAN sobre migração forçada e direito à educação também passam a ocupar esse ambiente comum, reunindo as quatro grandes frentes de atuação da rede em uma única arquitetura digital.


Uma rede nascida para unir a missão

Em mensagem enviada especialmente à Rádio Amar e Servir, o Pe. Roberto Jaramillo Bernal, SJ, secretário do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia da Companhia de Jesus, explicou que a GIAN deve ser compreendida como uma única rede mundial, capaz de articular esforços que já existem nos territórios e ampliar sua força nos espaços de decisão.

“A Global Ignatian Advocacy Network é uma só rede global de trabalho, de esforços, de advocacy, de defesa e promoção dos direitos das pessoas e, especialmente, das comunidades.”

A palavra inglesa advocacy pode ser traduzida, nesse contexto, como incidência pública. Ela se refere ao trabalho organizado para influenciar políticas, transformar estruturas injustas, defender direitos e garantir que as comunidades diretamente afetadas participem das decisões que envolvem suas vidas. A incidência não consiste simplesmente em falar em nome daqueles que sofrem. Em sua perspectiva mais autêntica, ela cria condições para que essas pessoas sejam escutadas, reconhecidas e fortalecidas como protagonistas.

Segundo o Pe. Roberto, a GIAN começou a ser construída há quase duas décadas no interior do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia. A rede recebeu o apoio do então Superior Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás, SJ, e teve seu caminho posteriormente reafirmado pelo atual Superior Geral, Pe. Arturo Sosa, SJ.

“Ela foi pensada como uma plataforma universal de trabalho para todas as obras. Não somente para as obras sociais, mas para todas as obras apostólicas da Companhia.”

Essa compreensão foi renovada institucionalmente em setembro de 2025, quando o Pe. Arturo Sosa promulgou o documento GIAN, Nosso Modo de Proceder, aprovado por um período inicial de três anos. O texto define a GIAN como uma plataforma apostólica única de colaboração, destinada a responder às injustiças sociais, políticas, educacionais e ecológicas por meio da incidência coordenada.

A rede, portanto, não pertence apenas a centros sociais ou organizações especializadas. Escolas, universidades, paróquias, rádios, centros de espiritualidade, casas de retiros, missões indígenas, centros de pesquisa e outras obras podem participar desse esforço, cada uma a partir de sua experiência e da realidade concreta que acompanha.

“Trata-se de um espaço de encontro e de partilha de projetos, de trabalhos e de esforços em torno da defesa e da promoção dos direitos das pessoas e das comunidades.”

O modo de proceder da GIAN traduz uma característica fundamental da missão inaciana: nenhuma obra responde sozinha à complexidade do mundo. Cada instituição possui conhecimentos, experiências e possibilidades particulares, mas é por meio da colaboração que esses dons alcançam uma dimensão maior. A própria rede afirma que sua atuação busca compartilhar informações, formar uma visão comum, fortalecer a capacidade de incidência das instituições participantes e conectar conhecimentos e recursos para influenciar políticas públicas em favor da justiça social e da ecologia integral.

Ecologia integral: a crise ambiental também é uma crise de justiça

A primeira iniciativa da GIAN está voltada à ecologia integral. A expressão, central na reflexão da Igreja nos últimos anos, reconhece que não existem duas crises separadas, uma ambiental e outra social. A destruição dos ecossistemas e o sofrimento das populações mais vulneráveis fazem parte de uma mesma realidade.

O trabalho da rede contempla temas como financiamento climático, transição energética justa, agroecologia, sistemas alimentares, soberania alimentar, direitos dos povos indígenas e proteção dos territórios. Em vez de tratar a crise climática apenas como uma questão técnica, a GIAN procura evidenciar quem sofre suas maiores consequências, quem participa das decisões e quem se beneficia dos modelos econômicos atualmente dominantes.

“Precisamos avançar em uma transição das energias para um mundo mais justo, onde a energia seja um patrimônio universal e não um motivo de guerras e conflitos, provocado pelo interesse de poucos países, pessoas ou corporações”, afirma o Pe. Roberto.

A transição energética é necessária, mas ela não será justa se apenas substituir uma fonte de energia por outra, mantendo a concentração de riquezas e o sacrifício de determinadas comunidades. Minerais usados em baterias, painéis solares e tecnologias consideradas sustentáveis também podem ser extraídos em condições marcadas por violência, exploração do trabalho e destruição ambiental.

A preocupação ecológica da rede também alcança a produção de alimentos.

“Há um trabalho que tem relação com os sistemas alimentares, com a agroecologia e com a soberania alimentar em todo o mundo.”

Entre os conteúdos já publicados pela plataforma está uma reflexão sobre a Cúpula Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas e Gestão Ambiental, realizada em Lusaka, na Zâmbia. O encontro destacou que pequenos agricultores, mulheres, jovens e famílias de baixa renda, embora estejam entre os grupos que menos contribuem para a crise climática, frequentemente enfrentam seus impactos mais severos, como secas, enchentes, chuvas irregulares, insegurança alimentar e perda dos meios de sobrevivência.

A plataforma também acompanha as discussões preparatórias para a COP31, encontros internacionais sobre financiamento climático e campanhas católicas por justiça ambiental. Em junho, publicou materiais sobre as negociações climáticas realizadas em Bonn, na Alemanha, além de um chamado de investidores e organizações cristãs por uma moratória global da mineração em águas profundas.

Esses conteúdos mostram que a GIAN não pretende apenas comentar acontecimentos. A rede acompanha negociações, reúne posicionamentos, apresenta experiências locais e oferece elementos para que comunidades, pesquisadores e organizações participem do debate público.

Migração forçada: devolver nomes e rostos às estatísticas

A segunda iniciativa está dedicada às pessoas migrantes, refugiadas e deslocadas à força. A Companhia de Jesus possui uma longa trajetória de presença junto a essas populações, especialmente por meio do Serviço Jesuíta aos Refugiados, criado pelo Pe. Pedro Arrupe, SJ.

O Pe. Roberto ressalta que o trabalho não se limita às pessoas que já receberam o reconhecimento jurídico de refugiadas. A rede procura compreender as diversas causas que hoje expulsam seres humanos de seus territórios, incluindo guerras, perseguições, colapsos econômicos, eventos climáticos extremos, violência política, fome e ausência de condições mínimas para uma vida digna.

“Não estamos falando apenas dos refugiados com status oficial reconhecido internacionalmente, mas de todas as causas da migração forçada que existem hoje.”

A própria GIAN apresenta a migração forçada como um dos maiores desafios do mundo atual e como um sinal visível da maneira pela qual as injustiças expulsam pessoas de suas casas e países. A plataforma recorda que a Companhia de Jesus acompanha, de maneira especial, refugiados, migrantes e deslocados internos há quatro décadas.

“É um fenômeno que não pode ser ignorado. Ele possui uma dimensão global e apresenta desafios importantes para a Companhia de Jesus e também para a Igreja”, acrescenta o Pe. Roberto.

Entre as publicações recentes da GIAN está uma reflexão do Serviço Jesuíta aos Refugiados sobre a necessidade de recuperar o rosto humano da migração. O conteúdo insiste que migrantes e refugiados não podem ser reduzidos a números, categorias jurídicas ou problemas de segurança. São pessoas com histórias, famílias, culturas e projetos de vida. A resposta deve enfrentar as causas dos deslocamentos e assumir os compromissos de acolher, proteger, promover e integrar.

A incidência inaciana, nesse campo, nasce da hospitalidade, mas não termina nela. Acolher quem chega é indispensável, porém também é necessário questionar as guerras, as políticas econômicas, as mudanças climáticas, a perseguição e as estruturas que transformam a fuga em única alternativa de sobrevivência.

Justiça na mineração: escutar as comunidades antes de decidir sobre seus territórios

A terceira iniciativa acompanha comunidades afetadas pelas atividades minerárias. Em diversas partes do mundo, a exploração de minérios está relacionada à contaminação da água, ao desmatamento, à remoção de famílias, à destruição de vínculos culturais, à criminalização de lideranças e à violação de direitos indígenas e comunitários.

“Temos uma iniciativa global de incidência inaciana para acompanhar, defender e fortalecer as comunidades que estão lutando por maior justiça nas atividades minerárias”, explica o Pe. Roberto.

A rede procura garantir que decisões relacionadas à mineração não sejam tomadas apenas por governos e empresas, sem a participação daqueles que vivem nos territórios afetados. Também questiona modelos de desenvolvimento nos quais comunidades cercadas por riquezas naturais permanecem submetidas à pobreza, à violência e à falta de acesso a direitos básicos.

“É uma atividade relacionada ao tema da energia e uma das causas de grandes desordens políticas e sociais existentes hoje no mundo.”

A nova plataforma reúne notícias, orientações pastorais, campanhas e documentos sobre os impactos sociais e ambientais da mineração. Entre os conteúdos disponíveis está uma carta aberta subscrita pela rede Justice in Mining e por outras organizações eclesiais, pedindo que as vítimas do extrativismo sejam incluídas nos diálogos da Igreja sobre mineração. O documento propõe que o debate escute o clamor dos pobres e da Terra, especialmente das comunidades diretamente afetadas.

Nesse sentido, justiça na mineração não significa simplesmente rejeitar toda atividade mineral. Significa perguntar onde, como, por quem e em benefício de quem ela é realizada. Significa exigir transparência, responsabilidade empresarial, proteção ambiental, consulta às comunidades e respeito ao direito de um povo dizer não a projetos que ameacem sua sobrevivência.

Direito à educação: formar pessoas capazes de transformar a sociedade

A quarta iniciativa da GIAN defende a educação como direito humano fundamental e bem comum. Seu objetivo não é apenas ampliar o número de matrículas, mas influenciar políticas públicas que garantam educação de qualidade ao longo de toda a vida, com atenção especial às populações mais vulnerabilizadas.

“É o direito à educação para todas as pessoas, independentemente de raça, idade, cor, religião ou nível social.”

Para o Pe. Roberto, os governos são os primeiros responsáveis por assegurar esse direito. Instituições privadas, organizações religiosas e iniciativas comunitárias podem colaborar, mas a educação não pode se transformar em privilégio reservado àqueles que possuem condições financeiras.

“É necessário reivindicar, propor e posicionar a educação como um direito humano fundamental, que deve ser reconhecido e garantido pelos governos, os primeiros responsáveis pela educação de seus povos.”

A iniciativa da GIAN está comprometida com a defesa de políticas que permitam à educação transformar a sociedade, promover equidade e alcançar aqueles que mais necessitam. A rede também apresenta a educação como um bem comum, que não pode ser reduzido a mercadoria ou instrumento de vantagem individual.

Na tradição jesuíta, educar significa formar pessoas conscientes, competentes, compassivas e comprometidas. Por isso, defender o acesso à escola é apenas uma parte da missão. Também é necessário refletir sobre a qualidade do ensino, a formação ética, a inclusão, a participação social e a capacidade de reconhecer e enfrentar as injustiças.

Uma plataforma para informar, formar e mobilizar

Tiffany Trejo, coordenadora de Comunicação do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia, explica que a nova plataforma possui uma função diferente do site institucional do Secretariado, em Roma.

“O site do Secretariado mantém um enfoque institucional e pastoral para comunicar quem somos. A nova página da GIAN é uma plataforma operacional de ações de incidência e de compartilhamento de recursos.”

Em sua mensagem, originalmente gravada em espanhol e traduzida pela Rádio Amar e Servir, Tiffany afirma que o novo espaço foi desenhado para apresentar o que está sendo realizado nos âmbitos local, regional e global e, ao mesmo tempo, indicar como novas pessoas, comunidades e instituições podem participar.

“Seu propósito estratégico é ativar as redes nos territórios, promover a colaboração transversal e romper os silos de informação.”

Os chamados silos surgem quando informações, experiências e materiais importantes permanecem presos dentro de uma instituição, país, idioma ou setor apostólico. Como consequência, comunidades enfrentam desafios semelhantes sem conhecer as soluções, pesquisas e iniciativas desenvolvidas em outros lugares. A plataforma procura superar esse isolamento e criar um fluxo permanente entre o território e a ação global.

Sob uma arquitetura guarda-chuva, a página reúne notícias, campanhas e recursos das quatro iniciativas. As áreas de ecologia integral e justiça na mineração já contam com espaços próprios para notícias, campanhas e materiais; as frentes de migração forçada e direito à educação também estão inseridas na nova organização e serão progressivamente ampliadas.

“Os artigos tradicionais se transformam em cápsulas de incidência e histórias visuais vivas, orientadas à mobilização e às campanhas, oferecendo ferramentas que podem ser baixadas por ativistas e comunidades”, explica Tiffany.

Na prática, o público encontrará coberturas sobre encontros internacionais, mudanças climáticas, agroecologia, mineração, direitos humanos, acolhimento de migrantes, ações do Serviço Jesuíta aos Refugiados, emergências humanitárias, formação, campanhas e experiências concretas desenvolvidas pelas obras jesuítas ao redor do mundo.

A página inicial já reúne, por exemplo, conteúdos sobre justiça climática na Zâmbia, o rosto humano da migração, a resposta jesuíta à emergência provocada pelo terremoto na Venezuela, o Dia Mundial do Refugiado, a preparação para a COP31 e oficinas destinadas a fortalecer comunidades vulneráveis diante das mudanças climáticas.

Essa variedade demonstra que a GIAN não funciona apenas como arquivo. A plataforma acompanha o presente, identifica questões urgentes, conecta acontecimentos internacionais às realidades locais e oferece materiais que podem ser utilizados por comunicadores, lideranças comunitárias, educadores, pesquisadores, agentes pastorais e defensores de direitos.

O legado do Ecojesuit e do Justice in Mining

Com a nova organização, os sites Ecojesuit e Justice in Mining deixam de receber novas publicações de maneira independente. Durante os próximos meses, porém, continuarão disponíveis como repositórios históricos, permitindo o acesso aos artigos, pesquisas, testemunhos, campanhas e documentos construídos ao longo dos anos.

“Isso garantirá que o valioso arquivo de artigos e recursos publicados durante todo esse tempo permaneça disponível para consulta e pesquisa antes de sua desativação definitiva”, esclarece Tiffany.

O Ecojesuit foi criado em 2010 como plataforma global de comunicação e centro de recursos da iniciativa de ecologia da GIAN. Ao longo de sua trajetória, tornou-se um espaço de encontro entre jesuítas, colaboradores e organizações comprometidas com a ecologia integral.

As redes sociais do Ecojesuit continuarão ativas como canais de interação comunitária. A nova plataforma da GIAN não criará perfis independentes, mas articulará sua presença digital principalmente por meio dos canais do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia, em Roma.

Tiffany também dirigiu uma mensagem de gratidão às pessoas e instituições que sustentaram as duas plataformas anteriores.

“Queremos expressar nossa mais sincera gratidão a toda a comunidade de leitores, colaboradores, pesquisadores, centros sociais e aliados que deram vida e sustentaram as plataformas do Ecojesuit e do Justice in Mining durante tantos anos.”

“Obrigado por tecer conosco essas redes de esperança e por compartilhar as realidades a partir de seus territórios. O desafio continua com mais força, maior articulação e um sentido global mais profundo.”

O encerramento de uma etapa, portanto, não apaga os caminhos anteriores. Os conhecimentos, vínculos e experiências construídos passam a compor um espaço mais amplo, no qual diferentes causas podem dialogar e fortalecer umas às outras.

Do território à transformação das estruturas

A força da GIAN está na capacidade de relacionar o que acontece em uma comunidade específica com decisões que possuem alcance regional ou mundial. Uma família expulsa de seu território pela mineração não vive apenas um drama particular. Sua história revela conflitos sobre desenvolvimento, poder econômico, direitos humanos e proteção ambiental. Um agricultor afetado por secas prolongadas não enfrenta apenas um problema climático, mas também questões relacionadas à política agrícola, ao financiamento climático e à segurança alimentar.

Da mesma forma, uma criança fora da escola expressa uma desigualdade que precisa ser enfrentada por políticas públicas. Uma pessoa obrigada a atravessar fronteiras carrega consigo as consequências de guerras, perseguições, crises econômicas ou ambientais que exigem respostas internacionais.

Para o Pe. Roberto, a nova plataforma deverá funcionar como um banco de experiências e recursos para todas as obras apostólicas.

“A ideia é que seja um site acessível universalmente, especialmente pelas obras da Companhia que estão ligadas a alguma das quatro iniciativas da GIAN.”

“Queremos que obras da educação superior ou secundária, paróquias, casas de retiros, missões indígenas, rádios e centros de espiritualidade possam entender por que é importante trabalharmos juntos para realizar uma incidência cada vez mais eficaz em nível local, regional e também global.”

Essa ligação entre contemplação, discernimento e ação traduz a espiritualidade inaciana em compromisso público. Não se trata de utilizar a fé como uma ideia abstrata ou distante das dores humanas. Trata-se de encontrar Deus na realidade, reconhecer os sinais de vida e de morte presentes nela e perguntar qual resposta concreta pode produzir o maior bem.

GIAN e Rádio Amar e Servir: uma nova parceria para comunicar a esperança que age

Ao final de sua mensagem, o Pe. Roberto dirigiu um convite direto à Rádio Amar e Servir.

“O convite é para que a Rádio Amar e Servir possa divulgar esta informação e também fazer parte da dimensão comunicativa da Global Ignatian Advocacy Network.”

O convite reconhece que a comunicação ocupa um lugar decisivo na missão de justiça e reconciliação. Uma realidade que não é comunicada corre o risco de permanecer invisível. Uma comunidade que não encontra espaços para contar sua própria história pode ser apagada pelas versões construídas por grupos mais poderosos. Por isso, informar também significa defender direitos, preservar memórias, criar pontes e ampliar a participação.

“A Rádio pode participar ativamente de uma, duas, três ou das quatro iniciativas”, acrescentou o Pe. Roberto.

Acolhendo esse chamado, a Global Ignatian Advocacy Network passa a ser nova parceira de conteúdo e informação da Rádio Amar e Servir. A partir dessa aproximação, a emissora acompanhará as notícias, campanhas, pesquisas, experiências e materiais produzidos pela GIAN, levando ao público brasileiro conteúdos relacionados à ecologia integral, à justiça na mineração, ao direito à educação e à migração forçada.

A parceria permitirá que informações produzidas em diferentes partes do mundo sejam traduzidas, contextualizadas e apresentadas aos ouvintes e leitores da Rádio Amar e Servir com linguagem acessível, rigor jornalístico e olhar inaciano. Também abrirá caminhos para novas entrevistas, reportagens, sonoras, campanhas e conteúdos formativos, aproximando a realidade internacional das comunidades brasileiras e dando maior visibilidade às experiências desenvolvidas pela Companhia de Jesus e por seus parceiros.

A GIAN se une, assim, à missão da Rádio Amar e Servir de ser companhia na vida de seus ouvintes, oferecendo informação que não termina no acontecimento, mas conduz à reflexão, ao discernimento e ao compromisso.

Antes de concluir sua mensagem, o Pe. Roberto enviou uma saudação especial a Ronald, Emiliana e a todos os que colaboraram com a atuação jesuíta durante a COP30. Depois, resumiu o sentido deste novo caminho:

“Espero que esta fala possa servir como uma boa notícia neste tempo em que existem tantas notícias ruins no ar.”

A nova plataforma da GIAN nasce como essa boa notícia. Não porque as crises tenham terminado, mas porque comunidades, pesquisadores, educadores, comunicadores e obras apostólicas decidiram enfrentá-las juntos. Em um mundo fragmentado, a rede propõe colaboração. Diante das estruturas que silenciam, propõe incidência. Diante de uma realidade ferida, propõe uma espiritualidade que escuta, discerne e se transforma em serviço.

A esperança inaciana não ignora as feridas do mundo. Ela se aproxima delas, escuta as pessoas que mais sofrem, reúne companheiros e busca caminhos capazes de transformar estruturas.

Agora, essa esperança também encontrará espaço nos microfones, no site e nas redes da Rádio Amar e Servir.

Porque comunicar a justiça também é uma forma de servi-la.

 

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