A missão da Companhia de Jesus na América Latina e no Caribe precisa responder, de maneira articulada, às crises sociais, ambientais e humanitárias que atravessam o continente. Para o presidente da Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe, a CPAL, Pe. Rafael David Garrido Vargas, SJ, esse compromisso exige atenção especial às populações historicamente excluídas e capacidade de transformar o discernimento em ações concretas.
Durante sua participação no Encontro da Província do Brasil 2026, realizado no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, São Paulo, o jesuíta venezuelano refletiu sobre os principais desafios enfrentad
os pela missão apostólica na região. Entre as urgências mencionadas estão a crise ecológica, os deslocamentos forçados e as lutas dos povos indígenas e afrodescendentes por dignidade, reconhecimento e proteção de seus territórios.
Mais do que identificar problemas, Pe. Rafael Garrido defendeu o fortalecimento da colaboração entre províncias, redes apostólicas, instituições e diferentes frentes de atuação da Companhia de Jesus. Segundo ele, somente uma missão integrada será capaz de oferecer respostas oportunas e significativas às realidades complexas da América Latina e do Caribe.
“A crise ecológica e a mobilidade forçada fazem com que a Companhia de Jesus olhe com especial cuidado para essas realidades, juntamente com os povos que foram excluídos, como os povos indígenas e suas lutas e os povos afro-americanos.”
Ao final da entrevista, o presidente da CPAL dirigiu uma mensagem aos jesuítas e colaboradores da Província do Brasil. Inspirado na imagem do semeador, ele afirmou que a esperança não pode permanecer apenas nos discursos, mas deve nascer do trabalho paciente, do cuidado e do compromisso cotidiano com a missão.
“Este encontro, para mim, é um símbolo de esperança. A mensagem é: animem-se a construir esperança. Não uma esperança que se decreta, nem uma esperança que seja apenas de palavras ou que apareça nos livros, mas uma esperança como a do semeador.”