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Depois da assinatura, EUA e Irã têm 60 dias para transformar acordo em paz real
Memorando assinado à distância abre uma nova etapa diplomática no Oriente Médio. Em meio à tensão que ainda persiste no Líbano, a esperança se mistura ao desafio de reconstruir confiança, proteger vidas e desarmar os caminhos da guerra
Por Murilo Galhardo
Publicado em 18/06/2026 12:19 • Atualizado 18/06/2026 12:31
Sociedade e mundo
Depois do acordo, o desafio: transformar trégua entre EUA e Irã em paz duradoura

A assinatura do acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, na noite de quarta-feira, abriu uma nova janela de esperança para o Oriente Médio. Mais do que o anúncio de um cessar-fogo, o documento marca o início de um caminho delicado: serão 60 dias de negociações intensas para tentar transformar a trégua diplomática em uma paz mais sólida, justa e duradoura.

O texto foi assinado remotamente pelo presidente norte-americano Donald Trump e pelo presidente iraniano Massoud Pezeshkian. Entre os pontos previstos estão compromissos ligados ao programa nuclear iraniano, à suspensão de sanções e ao fim das hostilidades em diferentes frentes da região, incluindo o Líbano.

Mas a paz ainda não está pronta. Ela começa agora, no terreno difícil da confiança. As declarações das lideranças mostram que o acordo nasce cercado de esperança, mas também de desconfiança. Enquanto parte da comunidade internacional vê no memorando uma oportunidade histórica, a escalada no Líbano recorda que nenhum documento será suficiente enquanto vidas continuarem ameaçadas.

É nesse ponto que o olhar cristão e inaciano ajuda a iluminar a notícia. A paz não pode ser entendida apenas como silêncio das armas. Ela precisa nascer da reconciliação, do diálogo, da justiça e do cuidado concreto com os povos feridos pela guerra.

Na espiritualidade inaciana, reconciliar é reconstruir relações: com Deus, com os outros, com a criação e com a própria história. Por isso, um acordo diplomático pode ser um primeiro passo importante, mas a paz verdadeira exige mais do que assinaturas. Exige conversão de mentalidade, responsabilidade política e compromisso real com a dignidade humana.

O Papa Leão XIV tem insistido que a paz precisa ser “desarmada e desarmante”. Desarmada, porque não coloca a força como único caminho. Desarmante, porque rompe a lógica da vingança, do medo e da destruição.

Neste momento, a esperança está posta sobre a mesa. Agora, caberá aos líderes transformar palavras em gestos concretos. Para os povos do Oriente Médio, cansados de perdas, deslocamentos e incertezas, cada passo de diálogo pode significar a possibilidade de respirar novamente.

A assinatura do acordo não encerra a história. Ela inaugura uma travessia. E, como toda travessia verdadeira, exigirá coragem, paciência e fidelidade à vida.

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