https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/e0c53aa785f9f4f8266492c13d5f3b92.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/6d4a80f25595ce74790160240400458d.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/ca9e33e881afa4892e521196c04a818d.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/23bde4d7ff95dcdaf3736be8c7175084.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/6df92eb25688ba2e58533e9e53b10e84.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/9c3bb3fa298359bf059017aabcd83f95.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/3a64bd89d9f71412aa0f7f3960f74ae8.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/a55978989c87f95c4e1232d34717aef3.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/02cf5538c2c42bdca5a21d8a305ecf44.png
Quando o rádio se torna resistência: jesuítas fortalecem povos indígenas na defesa da vida e do território
No México, uma rede formada por comunidades, instituições de ensino e uma emissora jesuíta transforma comunicação, educação e mobilização popular em instrumentos de justiça, proteção ambiental e esperança
Por Murilo Galhardo
Publicado em 21/08/2026 12:50
Jesuítas

Em regiões onde interesses econômicos avançam sobre territórios ancestrais, comunicar também é uma forma de proteger a vida. No México, a Companhia de Jesus desenvolve um trabalho conjunto com povos indígenas e comunidades camponesas para defender direitos, fortalecer a organização popular e preservar terras ameaçadas pela exploração mineral.

A iniciativa acontece por meio da Plataforma Huayacocotla-Puebla, uma rede que reúne projetos sociais e educacionais da Província Mexicana da Companhia de Jesus. A experiência mostra que a missão pode ganhar força quando universidade, escola, organizações sociais, comunidades e meios de comunicação colocam seus conhecimentos a serviço de uma mesma causa.

No centro dessa articulação está a Rádio Huayacocotla, também conhecida como La Voz Campesina. Fundada em 1965, a emissora comunitária acompanha há mais de seis décadas a realidade das populações rurais e indígenas da região. Sua programação ajuda a divulgar problemas enfrentados pelas comunidades, preservar culturas locais e mobilizar a população em defesa dos próprios direitos.

Uma voz nascida do campo

A Rádio Huayacocotla não atua apenas como veículo de informação. Ela se tornou espaço de escuta, encontro e organização comunitária para os povos Otomí, Tepehua e Nahua.

Por seus microfones, agricultores, lideranças indígenas, mulheres e trabalhadores podem falar sobre a realidade de seus territórios. A emissora também divulga informações relacionadas à saúde, aos direitos humanos, à cultura, à economia solidária e à proteção ambiental.

Em contextos nos quais as comunidades encontram pouco espaço nos grandes meios de comunicação, o rádio aproxima pessoas, rompe silêncios e ajuda a transformar experiências isoladas em consciência coletiva.

A atuação da emissora recorda que a comunicação popular não se limita a transmitir notícias. Ela nasce da convivência com as comunidades e do compromisso de ajudá-las a interpretar a própria realidade, reconhecer seus direitos e participar das decisões que afetam seu futuro.

Territórios ameaçados pela mineração

A Plataforma Huayacocotla-Puebla ganhou força a partir de 2020, depois que comunidades dos municípios de Huayacocotla e Zacualpan, no estado de Veracruz, e de Agua Blanca, no estado de Hidalgo, manifestaram preocupação com atividades ligadas à mineração.

Segundo a Companhia de Jesus, a empresa envolvida não havia recebido autorização das autoridades comunitárias locais. Desde 2019, organizações agrárias da região já se posicionavam contra qualquer permissão para exploração mineral.

As comunidades declararam seus territórios livres da mineração de metais e rejeitaram mudanças no uso da terra que pudessem favorecer projetos extrativistas.

Diante da ameaça, integrantes do Projeto Sierra Norte de Veracruz e da Rádio Huayacocotla procuraram o apoio da Universidade Iberoamericana de Puebla e do Instituto Oriente, ambas instituições vinculadas à missão educativa da Companhia de Jesus.

A articulação reuniu o conhecimento tradicional dos povos, a experiência das organizações comunitárias, a capacidade de mobilização do rádio e a contribuição técnica e acadêmica das instituições de ensino.

Uma vitória de 35 mil hectares

Um dos principais resultados dessa união foi o cancelamento de uma concessão de mineração que abrangia aproximadamente 35 mil hectares.

A conquista foi possível graças ao trabalho conjunto da plataforma jesuíta, das instituições de ensino e das comunidades indígenas e camponesas. Além da mobilização popular, a iniciativa ofereceu apoio jurídico e promoveu estudos sobre a biodiversidade, a riqueza natural e o valor espiritual dos territórios.

Também foram analisados os possíveis impactos econômicos, sociais, ambientais e culturais provocados pela exploração mineral.

Mais do que impedir um empreendimento, a vitória reafirmou o direito das comunidades de participar das decisões sobre suas terras. Também demonstrou que a proteção da Casa Comum depende da união entre conhecimento científico, sabedoria ancestral, organização popular e compromisso social.

Cuidado que alcança diferentes realidades

A atuação da plataforma vai além da defesa territorial. O trabalho está organizado em diferentes frentes, como proteção dos direitos humanos, enfrentamento da violência, acompanhamento de migrantes, fortalecimento das organizações comunitárias e formação de lideranças.

Uma das iniciativas oferece apoio a mulheres indígenas vítimas de violência. Outra acompanha trabalhadores indígenas que migram para os Estados Unidos, principalmente aqueles contratados para a colheita de maçãs ou para trabalhar em restaurantes de Nova York.

A rede também proporciona experiências formativas para estudantes. Jovens do Instituto Oriente participam de missões e atividades junto às comunidades, enquanto universitários podem aplicar seus conhecimentos em situações concretas do meio rural.

Essa aproximação ajuda a superar uma educação limitada à sala de aula. Os estudantes entram em contato com diferentes culturas, aprendem com as comunidades e compreendem que a formação profissional também pode ser colocada a serviço da justiça.

Uma missão inspirada pelas Preferências Apostólicas

A Plataforma Huayacocotla-Puebla concretiza duas das Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus: caminhar com os pobres, os descartados e aqueles cuja dignidade foi violada, e colaborar no cuidado da Casa Comum.

Essas preferências não aparecem apenas como princípios escritos. Elas ganham forma na defesa de uma nascente, na proteção de uma floresta, no acolhimento de uma mulher vítima de violência, no acompanhamento de um trabalhador migrante e na abertura de um microfone para que uma comunidade possa contar a própria história.

A missão jesuíta se realiza, assim, por meio de uma presença que escuta antes de falar e que trabalha ao lado das pessoas, respeitando seus conhecimentos, sua espiritualidade e seu modo de viver.

O rádio como serviço e esperança

A experiência mexicana também provoca uma reflexão sobre o papel das emissoras comprometidas com a vida e com o Evangelho.

Em tempos de desinformação, polarização e concentração dos meios de comunicação, o rádio continua sendo uma presença próxima. Ele chega a comunidades distantes, atravessa limitações geográficas e permite que diferentes vozes participem da construção da notícia.

Quando escolhe escutar os pequenos, defender a dignidade humana e aproximar pessoas, o rádio deixa de ser apenas um equipamento de transmissão. Torna-se companhia, memória, resistência e esperança.

A Rádio Huayacocotla mostra que um microfone pode ajudar a proteger uma cultura, fortalecer uma comunidade e preservar milhares de hectares. Mostra, sobretudo, que comunicar é colocar-se a serviço da verdade e permitir que nenhuma voz seja considerada pequena demais para ser ouvida.

 

Com informações do Escritório de Comunicação da Cúria Geral da Companhia de Jesus.

Comentários

Mais notícias