https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/e0c53aa785f9f4f8266492c13d5f3b92.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/6d4a80f25595ce74790160240400458d.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/ca9e33e881afa4892e521196c04a818d.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/23bde4d7ff95dcdaf3736be8c7175084.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/6df92eb25688ba2e58533e9e53b10e84.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/9c3bb3fa298359bf059017aabcd83f95.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/3a64bd89d9f71412aa0f7f3960f74ae8.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/a55978989c87f95c4e1232d34717aef3.jpg
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/246221/slider/02cf5538c2c42bdca5a21d8a305ecf44.png
Papa Leão XIV: quando não compreendemos os caminhos de Deus, é preciso continuar o diálogo
Durante o Angelus deste domingo, em Castel Gandolfo, o Pontífice afirmou que a fé não elimina as dúvidas, mas ensina a apresentá-las ao Senhor com sinceridade. Ao recordar a reação de Pedro diante do anúncio da Paixão, Leão XIV convidou os cristãos a confiarem em Deus mesmo quando seus desígnios ultrapassam a lógica humana
Por Murilo Galhardo
Publicado em 30/08/2026 13:47
Papa

Nem sempre os caminhos de Deus correspondem àquilo que imaginamos. Há momentos em que a oração parece não ser atendida, os acontecimentos frustram nossos planos e a própria fé é atravessada por perguntas difíceis. Foi a partir dessa experiência profundamente humana que o Papa Leão XIV conduziu sua reflexão antes da oração do Angelus deste domingo, 30 de agosto, na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo.

Diante dos fiéis e peregrinos, o Pontífice comentou o Evangelho de Mateus, no qual Jesus anuncia aos discípulos que deverá seguir para Jerusalém, sofrer, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

A revelação desconcerta os apóstolos. Eles esperavam um Messias triunfante, poderoso e capaz de derrotar os inimigos. Jesus, porém, apresenta um caminho completamente diferente: o da entrega, da cruz e do amor levado até as últimas consequências.

Quando Deus não corresponde às nossas expectativas

Pedro, que pouco antes havia reconhecido Jesus como “o Messias, o Filho de Deus vivo”, não consegue aceitar o que escuta. Movido por um amor sincero, repreende o Mestre: “Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!”.

Para Leão XIV, a reação do apóstolo revela uma dificuldade que também pode estar presente na caminhada dos cristãos. É possível professar a fé em Cristo e, ao mesmo tempo, resistir quando sua vontade não coincide com os nossos desejos.

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, afirmou o Papa.

Segundo o Pontífice, diante da frustração e da incerteza, pode surgir a tentação de pensar que Deus está errado, que não escuta nossas preces ou que não se importa com aquilo que estamos vivendo. Essa crise, entretanto, não precisa significar o fim da fé. Ela pode se transformar em um momento de amadurecimento e de encontro mais verdadeiro com o Senhor.

A fé também sabe dizer: “Eu não compreendo”

A partir da atitude de Pedro, Leão XIV apresentou dois ensinamentos fundamentais. O primeiro é nunca interromper o diálogo com Deus, nem mesmo quando o coração estiver confuso.

Para o Papa, a oração não deve esconder os sentimentos, as dúvidas ou as dificuldades. O cristão pode apresentar ao Senhor aquilo que realmente vive, sem discursos prontos ou aparências de uma fé que nunca vacila.

É possível dizer a Deus que não compreendemos. É possível falar sobre o medo, a dor, a decepção e até sobre a dificuldade de aceitar aquilo que Ele pede. A sinceridade de Pedro mostra que a relação com Cristo pode permanecer viva mesmo em meio ao conflito interior.

O segundo ensinamento é não julgar imediatamente a ação de Deus pelos critérios humanos. Depois de falar com sinceridade, é necessário também escutar com humildade.

“Nunca julgar a ação de Deus, mas ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar através da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas”, orientou o Pontífice.

A fé, portanto, não consiste em compreender tudo imediatamente. Ela se manifesta na disposição de permanecer diante de Deus, continuar escutando e permitir que Ele transforme nossa maneira de enxergar a realidade.

O caminho de Cristo não é o caminho do poder

Ao responder a Pedro, Jesus deixa claro que a salvação não acontecerá segundo a lógica da força, da conquista ou da dominação. O Messias não veio esmagar seus adversários, mas entregar a própria vida.

Por isso, seguir Cristo significa negar a si mesmo, tomar a própria cruz e caminhar atrás dele. Não se trata de procurar o sofrimento ou aceitar passivamente as injustiças, mas de abandonar a lógica do egoísmo, do controle e da imposição.

Pedro precisou compreender que não era Jesus quem deveria seguir suas expectativas. Era ele quem precisava deixar-se conduzir e transformar pelo Mestre.

Essa é, segundo o Papa, uma das manifestações da grandeza do primeiro dos apóstolos. Pedro errou, resistiu e demonstrou dificuldade, mas não abandonou o diálogo. Depois de escutar Cristo, aceitou o desafio e permaneceu fiel até o martírio.

Sua caminhada mostra que a santidade não nasce da ausência de dúvidas ou fragilidades. Ela nasce da capacidade de voltar a escutar, deixar-se corrigir e continuar seguindo Jesus.

Sinceridade para falar e humildade para escutar

Ao concluir a reflexão, Leão XIV pediu que os cristãos cultivem a mesma sinceridade e docilidade demonstradas por Pedro.

“Peçamos ao Senhor que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso”, disse o Papa.

O Pontífice também pediu que os fiéis saibam acolher aquilo que Deus apresenta para além das próprias expectativas. Uma fé madura não é aquela que possui todas as respostas, mas aquela que continua confiando, dialogando e caminhando, mesmo quando ainda não consegue compreender completamente.

Leão XIV confiou esse propósito à intercessão de Maria, que permaneceu obediente aos desígnios de Deus até junto à cruz de Jesus.

O pão da paz precisa ser repartido

Depois da oração do Angelus, o Papa dirigiu seu pensamento às diferentes realidades de sofrimento no mundo. Leão XIV manifestou solidariedade às vítimas de um massacre ocorrido em Kenscoff, no Haiti, pediu a libertação das pessoas sequestradas e fez um apelo pelo fim da violência contra a população.

O Pontífice também assegurou suas orações pelas vítimas das inundações no Nepal e no Tibete, recordando os mortos, feridos, desaparecidos, familiares e socorristas.

Ao renovar seu apelo pela paz, Leão XIV recuperou uma imagem de Santo Agostinho: a paz é semelhante ao pão que se multiplicava enquanto era partido e distribuído pelas mãos dos discípulos.

“Que aumentem no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça, praticando o perdão, para o bem de todos”, desejou o Papa.

 

Em um mundo marcado por conflitos, incertezas e sofrimentos, a mensagem deste domingo recorda que confiar em Deus não significa ignorar a realidade. Significa permanecer em diálogo com Ele, permitir que a fé transforme nossas expectativas e repartir, por meio de gestos concretos, o pão da justiça, do perdão e da paz.

Comentários

Mais notícias