Janeiro Branco propõe reflexão sobre paz, equilíbrio e saúde mental em um mundo acelerado
Campanha alerta para o cuidado diário com a saúde emocional diante do aumento dos transtornos mentais e convida à construção de uma paz possível, realista e responsável.
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 05/01/2026 13:57
Sociedade e mundo

Refletir sobre como tem sido a própria saúde mental é o convite central da campanha Janeiro Branco, que em 2026 traz como tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”. A iniciativa chama atenção para a necessidade de cuidado com aspectos emocionais e psicológicos da vida cotidiana, em um contexto marcado por excesso de demandas, aceleração do tempo e fragilização dos vínculos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunidos em relatórios como Saúde Mental Mundial Hoje e Atlas da Saúde Mental 2024, indicam que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, o que reforça a urgência do debate.

Segundo a psicóloga Franciele Mota, o tema da campanha sintetiza o bem-estar emocional nas diversas dimensões da vida.
“Paz é uma sensação interna de segurança e acolhimento consigo mesmo. Equilíbrio envolve organização, descanso, cuidado com as diferentes áreas da vida e autocuidado”, explica.

Equilíbrio não é ausência de conflito

Para a psicóloga Vanessa Ferreira, que atua em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), é importante desfazer idealizações.
“Não podemos criar a falsa ilusão de que, ao iniciar uma terapia ou usar medicação, nunca mais vamos nos desequilibrar. Paz absoluta não existe. Somos humanos”, observa.

Segundo ela, perder o equilíbrio, em alguns momentos, pode inclusive ajudar a reorganizar a vida. O essencial é aprender a decidir com clareza, assumir escolhas e fazer as pazes com elas. “O que ficou no passado, ficou”, ressalta.

Um desafio em tempos de hiperconexão

Em um mundo cada vez mais conectado, paradoxalmente, alcançar equilíbrio tornou-se mais difícil. Vanessa lembra que a humanidade sempre enfrentou grandes desafios — guerras, crises econômicas, preconceitos — e que a tecnologia é apenas mais um deles.

Ela alerta para o impacto das redes sociais na saúde mental. “Muitas vezes esquecemos que aquilo que vemos é apenas uma fatia da vida do outro, não o todo. Entramos em uma lógica de comparação constante, quando deveríamos olhar mais para dentro e buscar nosso próprio potencial”, afirma.

Franciele Mota acrescenta que o excesso de demandas tem levado muitas pessoas a uma lógica de sobrevivência. “As pessoas acumulam funções, não fazem pausas, não desaceleram. Sobra pouco espaço para si mesmas e o autocuidado fica comprometido”, observa.

Quando a paz interior é negligenciada

A negligência com a paz interior costuma se manifestar também no corpo. Vanessa chama atenção para a busca por soluções rápidas.
“O melhor remédio para a angústia não se vende em farmácia. É preciso parar, respirar e compreender de onde esse sentimento vem. Não existem atalhos na construção da saúde mental”, afirma.

Franciele reforça que o corpo dá sinais antes do esgotamento. “Tensão muscular, dores de cabeça, alterações no sono, desânimo. O corpo fala antes da mente. Quando ignoramos esses sinais, o desgaste pode evoluir para um transtorno mental”, alerta.

Caminhos possíveis para cultivar a paz em 2026

As especialistas destacam que cultivar a paz não exige soluções complexas, mas práticas constantes. Estabelecer limites, criar estratégias de descanso, saber dizer “não”, organizar o tempo e assumir responsabilidade pela própria saúde mental são passos fundamentais.

“É um processo que pode ser doloroso”, reconhece Vanessa. “Mas é preciso se perguntar por que tanta tristeza ou ansiedade, entender as causas e decidir o que fazer com essa informação.”

Para ela, buscar a paz não significa passividade. “Trata-se de assertividade: dizer e fazer o que é necessário, para a pessoa certa, no momento certo. Nem sempre conseguiremos, e tudo bem. O desequilíbrio também faz parte de uma vida equilibrada”, conclui.

A campanha Janeiro Branco, assim, reforça que cuidar da saúde mental é um compromisso diário, essencial para a dignidade humana, para as relações e para a construção de uma sociedade mais saudável e solidária.

Fonte: Canção Nova 


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