A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou, nesta segunda-feira, 5, uma carta à Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), manifestando sua “profunda comunhão fraterna com a Igreja que peregrina na Venezuela”, diante do cenário de tensões, sofrimentos e incertezas vividos pelo povo venezuelano.
A mensagem foi enviada após os acontecimentos da madrugada de sábado, 3 de janeiro, em Caracas, quando o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas por veículos internacionais.
“Como pastores da Igreja na América Latina, partilhamos a dor do povo que sofre e renovamos nossa esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante”, afirma a CNBB na carta. Os bispos brasileiros também expressaram solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas, unindo-se espiritualmente às orações e iniciativas pastorais da Igreja na Venezuela.
Apelo ao diálogo e à dignidade humana
No texto, a CNBB reafirma que o diálogo sincero, iluminado pela verdade, pela justiça e pelo respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das nações, é o único caminho capaz de promover o bem comum, fortalecer a democracia e construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura.
A carta se encerra com uma invocação mariana: os bispos brasileiros pedem que Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, interceda por todo o povo venezuelano e que o Espírito Santo sustente a missão profética da Igreja no país, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza.
CEV agradece gestos de comunhão da CNBB
Também nesta segunda-feira, 5, a Conferência Episcopal Venezuelana respondeu oficialmente à mensagem enviada pela CNBB. Em carta dirigida ao presidente da Conferência brasileira, o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, os bispos venezuelanos agradeceram “a atenção, a preocupação e a solidariedade” da Igreja no Brasil diante da complexa realidade vivida no país.
Segundo a CEV, os acontecimentos de 3 de janeiro e suas consequências para a vida social, política e econômica da Venezuela exigem da Igreja “continuar caminhando juntos para renovar e aprofundar a comunhão” e fortalecer o acompanhamento pastoral do povo que lhes foi confiado.
“Seu apoio, solidariedade e orações nos ajudam a cumprir essa tarefa”, afirmou a Conferência Venezuelana. A mensagem conclui pedindo a intercessão da Santíssima Virgem Maria, “incansável companheira do nosso povo e modelo de discipulado missionário”, para que acompanhe sempre a caminhada da Igreja e do povo venezuelano.