O Pontífice concentrou sua meditação no segundo capítulo da constituição dogmática Lumen Gentium, que apresenta a Igreja como “povo de Deus”.
Um povo formado por todas as nações
Na catequese, o Papa recordou que a história da salvação mostra Deus agindo na história humana ao escolher um povo e caminhar com ele. Ao libertar os filhos de Abraão da escravidão e estabelecer uma aliança com eles, Deus formou uma comunidade chamada a ser luz para todas as nações.
Segundo o Pontífice, essa realidade encontra sua plenitude em Jesus Cristo. “Cristo, no dom do seu Corpo e Sangue, reúne definitivamente este povo em si”, afirmou, explicando que a Igreja hoje é composta por homens e mulheres de todas as culturas, línguas e nações.
A unidade desse povo, acrescentou, não se baseia em critérios culturais ou étnicos, mas na fé em Cristo. “O seu princípio unificador não é uma língua, uma cultura ou uma etnia, mas a fé em Cristo”, destacou.
Filhos de Deus pela graça
O Papa explicou ainda que os membros da Igreja não se definem por títulos ou méritos pessoais, mas pelo dom recebido em Cristo. Para ele, antes de qualquer tarefa ou missão, o essencial na vida cristã é ser enxertado em Cristo e tornar-se filho de Deus pela graça.
“Este é o único título honorífico que deveríamos procurar como cristãos”, afirmou.
A Igreja, continuou o Pontífice, vive da vida que recebe do próprio Cristo e é chamada a expressar essa realidade nas relações entre seus membros. A lei que anima a comunidade cristã é o amor, tal como foi revelado por Jesus.
Uma Igreja aberta a todos
Ao refletir sobre a dimensão missionária da Igreja, o Papa destacou que ela não pode fechar-se em si mesma. Pelo contrário, deve permanecer aberta ao mundo e a toda a humanidade.
Mesmo aqueles que ainda não receberam o Evangelho, explicou, estão de algum modo orientados para o povo de Deus. Por isso, a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho em todos os lugares e a todas as pessoas.
“Na Igreja há e deve haver lugar para todos”, afirmou o Papa, sublinhando que cada cristão é chamado a dar testemunho do Evangelho nos ambientes onde vive e trabalha.
Sinal de esperança para o mundo
Na conclusão da catequese, o Pontífice destacou que a Igreja, formada por pessoas de diferentes povos e culturas unidas pela fé, é um sinal concreto de esperança para a humanidade.
Em um mundo marcado por conflitos e divisões, essa comunhão representa uma profecia de unidade e de paz. “É um grande sinal de esperança saber que a Igreja é um povo no qual coexistem mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas e culturas”, afirmou.
Segundo o Papa, essa diversidade reconciliada antecipa a unidade para a qual Deus chama toda a humanidade.