A celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé foi o grande destaque da coletiva de imprensa da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida. O momento marcou não apenas a memória histórica, mas também a reafirmação do papel ativo da Igreja Católica na formação social, cultural e espiritual do país.
Ao apresentar os marcos dessa trajetória, o cardeal Dom Paulo César Costa destacou que a presença da Igreja no Brasil sempre foi positiva e construtiva. Segundo ele, a atuação da instituição vai muito além do campo religioso e alcança dimensões concretas da vida social, como educação, saúde e assistência.
O cardeal ressaltou que, ao longo desses dois séculos, a Igreja contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento da sociedade brasileira, tanto no campo das ideias quanto por meio de obras concretas. Ele afirmou que hospitais, escolas, universidades e projetos sociais mantidos pela Igreja representam uma contribuição real e mensurável, tornando a sociedade brasileira mais humana e solidária.

Na dimensão espiritual, Dom Paulo enfatizou que a fé exerce um papel essencial na sustentação da esperança de um povo. Segundo ele, nenhuma sociedade se mantém de pé sem um horizonte espiritual que dê sentido à vida, especialmente em tempos de crise e incerteza.
Durante a coletiva, também foi destacado o significado do Acordo Brasil-Santa Sé como um marco de maturidade nas relações entre Igreja e Estado. O cardeal explicou que o acordo reconhece juridicamente a atuação da Igreja e garante liberdade para suas atividades religiosas, educativas e sociais, reforçando o princípio da laicidade positiva.
Ao abordar o conceito de Estado laico, Dom Paulo foi enfático ao afirmar que laicidade não significa oposição à religião. Para ele, um Estado verdadeiramente laico é aquele que respeita e garante a liberdade religiosa, promovendo parcerias que beneficiam a sociedade como um todo.
O cardeal recordou ainda a celebração do bicentenário em Roma, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, que destacou a contribuição histórica da Igreja para o Brasil. A celebração integrou uma programação mais ampla, que incluiu eventos culturais, acadêmicos e institucionais.
Ao final, a coletiva reforçou que a relação entre Brasil e Santa Sé continua sendo um caminho de diálogo, cooperação e promoção da dignidade humana, consolidando uma parceria que atravessa gerações e permanece atual diante dos desafios contemporâneos.