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CNBB avança na atualização do Documento 85 e reforça protagonismo juvenil na Igreja
Após escuta nacional com mais de 11 mil jovens, nova versão do texto aposta na evangelização digital e na ecologia integral como caminhos pastorais
Por Murilo Galhardo
Publicado em 22/04/2026 15:26 • Atualizado 22/04/2026 16:16
62ª AGCNBB
62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - 2026

A Igreja Católica no Brasil dá um passo decisivo na sua atuação com as juventudes. Durante a Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida, foi apresentado o processo de atualização do Documento 85 da CNBB, referência nacional para a evangelização juvenil desde 2007. A nova versão nasce de um amplo processo de escuta e pesquisa que envolveu milhares de jovens em todo o país, apontando desafios, mudanças e novas possibilidades para a ação pastoral.

O responsável pela apresentação foi Dom Vilsom Basso, que destacou a dimensão inédita da escuta realizada. Segundo ele, a pesquisa nacional alcançou mais de 11 mil jovens e revelou um dado central para compreender a realidade atual: o afastamento de muitos jovens não significa rejeição à fé.

“Não é que a juventude não queira participar, não queira o sagrado, não queira a religião. Muitas vezes não quer a estrutura, mas tem abertura à fé”, afirmou Dom Vilsom, ao comentar os resultados da pesquisa. A constatação, segundo ele, abre caminhos para uma evangelização mais próxima, capaz de dialogar com a realidade concreta das juventudes.

A atualização do documento foi construída ao longo de um ano e meio, em um processo sinodal que envolveu bispos, especialistas e os próprios jovens. O novo texto incorpora elementos do magistério recente da Igreja, especialmente as contribuições do Papa Francisco após o Sínodo dos Jovens de 2018, e propõe uma Igreja mais acolhedora, missionária e conectada com os desafios contemporâneos.

Entre as principais novidades estão duas novas linhas de ação: a comunicação e o mundo digital, e a ecologia integral. Dom Vilsom destacou que o ambiente digital, embora desafiador, representa uma oportunidade concreta de evangelização.

“O digital é um desafio, mas é uma enorme possibilidade. Jovens que não participam institucionalmente da Igreja estão em grupos, refletindo a fé e buscando formação”, explicou. Ele ainda ressaltou que o uso consciente dessas ferramentas pode ampliar significativamente o alcance da mensagem cristã, especialmente em ambientes como escolas e universidades.

Outro eixo importante da atualização é o fortalecimento da iniciação à vida cristã, organizada em cinco dimensões: despertar, acolher, formar, acompanhar e enviar. A proposta busca não apenas aproximar os jovens da Igreja, mas formar discípulos missionários comprometidos com a transformação da sociedade.

Durante a coletiva, Dom Vilsom também abordou questões atuais, como o crescimento de tendências mais conservadoras entre jovens. Para ele, a resposta da Igreja não está no confronto, mas na proximidade e no testemunho.

“A proximidade, a atenção e a acolhida são fundamentais. É a comunidade que tem a missão de formar os jovens”, afirmou. Ele destacou ainda a importância de oferecer espaços concretos de participação, como grupos de jovens e experiências missionárias.

A força do processo, segundo o bispo, está no envolvimento e no desejo de participação das próprias juventudes. O número expressivo de respostas na pesquisa foi um sinal claro desse interesse. “Isso mostra que os jovens querem falar, querem ser ouvidos e querem caminhar com a Igreja”, indicou.

Ao final de sua fala, Dom Vilsom sintetizou o espírito da atualização com uma frase que se tornou o grande marco da coletiva: “A juventude mora no coração da Igreja”. A afirmação traduz não apenas uma convicção pastoral, mas um compromisso concreto com o presente e o futuro da evangelização no Brasil.

O texto segue agora em análise pelos bispos e deve receber contribuições antes da aprovação final. A expectativa é que o novo Documento 85 se torne uma diretriz atualizada e eficaz para orientar a presença da Igreja junto às juventudes nos próximos anos.

 

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