Os bispos do Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgaram, na manhã desta sexta-feira (24), a mensagem oficial ao povo brasileiro ao final da 62ª Assembleia Geral, realizada no Santuário Nacional de Aparecida. O texto reúne reflexões sobre a realidade do país e apresenta um chamado à esperança, à responsabilidade social e ao compromisso com a vida e a democracia.
Iluminados pela fé em Jesus Ressuscitado, os bispos afirmam que, mesmo diante de um cenário desafiador, ainda é possível reconhecer sinais concretos de esperança no Brasil. Entre eles, destacam iniciativas de solidariedade, o compromisso com os mais pobres, a valorização da democracia e a defesa da dignidade humana em todas as suas etapas. Segundo a mensagem, essas experiências são sementes que florescem nas comunidades e apontam caminhos de reconstrução para o país.
Ao mesmo tempo, o documento não deixa de fazer críticas contundentes à realidade atual. Os bispos chamam atenção para o aumento da violência, especialmente nas periferias urbanas, onde o crime organizado, o narcotráfico e as milícias acabam ocupando espaços deixados pela ausência do Estado. Esse cenário, segundo o texto, fragiliza as instituições e impõe à população um cotidiano marcado pelo medo e pela insegurança.
A mensagem também dedica um espaço importante à denúncia da violência contra as mulheres, destacando o crescimento dos casos de feminicídio e das diversas formas de agressão, que vão desde a violência física e psicológica até a desigualdade econômica e a exclusão dos espaços de poder. Os bispos alertam que a situação se torna ainda mais grave quando atinge mulheres pobres, negras e periféricas, que frequentemente enfrentam também a omissão institucional e a banalização da dor.
No campo social e histórico, o texto recorda que o tráfico de pessoas escravizadas foi um dos maiores crimes contra a humanidade e afirma que o Brasil ainda precisa enfrentar com mais coragem as consequências do racismo estrutural. Além disso, denuncia conflitos no campo e nas comunidades tradicionais, onde disputas por terra, água e território continuam gerando sofrimento, expulsões e violência.
A crise ética e política também é abordada de forma direta. Os bispos criticam a corrupção, apontando que ela compromete a confiança da população, desvia recursos públicos e enfraquece a democracia. Nesse contexto, defendem o fortalecimento das instituições, da transparência e da responsabilidade na vida pública. O texto também manifesta preocupação com discussões que podem precarizar relações de trabalho, como a chamada “pejotização”, e reforça a importância de garantir direitos trabalhistas e condições dignas de vida.
Em um ano eleitoral, a CNBB faz um apelo especial à participação consciente da população. Os bispos incentivam os brasileiros a exercerem o voto com responsabilidade, lembrando que “o voto não tem preço, tem consequências”. A mensagem destaca a importância de escolher candidatos comprometidos com o bem comum, especialmente com os mais vulneráveis, e alerta para práticas como a compra de votos. Também reforça que a relação entre religião e política deve respeitar a autonomia de cada სფერ, evitando qualquer tipo de instrumentalização da fé.
Outro ponto de destaque é a preocupação com a desinformação e o uso indevido das novas tecnologias. Os bispos alertam para a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e manipulação da opinião pública, inclusive por meio da inteligência artificial, fenômenos que colocam em risco a verdade, o debate democrático e a convivência social.
A mensagem ainda aborda a crise ambiental, com atenção especial à Amazônia, ressaltando que os impactos das mudanças climáticas atingem todos os biomas e povos. Os bispos criticam modelos de exploração que sacrificam a natureza e as populações em nome do lucro e defendem a necessidade de preservar a “casa comum”. Nesse contexto, reafirmam a importância de proteger os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, destacando que qualquer solução deve passar pelo diálogo, pela escuta e pelo respeito aos seus direitos.
Ao concluir a mensagem, os bispos reafirmam que o povo brasileiro não pode perder a esperança. Inspirados em São Francisco de Assis, cuja memória jubilar é celebrada pela Igreja, eles renovam o compromisso de promover a paz e o bem. Sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, a CNBB convida toda a sociedade a construir um país mais justo, fraterno e solidário, fundamentado na verdade, na justiça e no cuidado com a vida.