Ao dar continuidade à catequese sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV refletiu, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, sobre a natureza da Revelação cristã. Diante de milhares de fiéis reunidos na Sala Paulo VI, no Vaticano, o Pontífice recordou que Deus não se revela por meio de conceitos abstratos, mas em um verdadeiro diálogo de aliança, no qual se dirige à humanidade como a amigos.
Segundo o Papa, trata-se de uma forma de conhecimento que não se limita à transmissão de conteúdos, mas que envolve uma história partilhada e um chamado à comunhão. “Deus fala aos homens como amigos e vive entre eles, para convidá-los e admiti-los à comunhão consigo”, recordou, retomando o ensinamento conciliar.
A Revelação como encontro pessoal
Leão XIV destacou que a plenitude da Revelação acontece em um encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se doa e se faz presente. Essa experiência encontra sua realização plena em Jesus Cristo, que revela o Pai ao envolver a humanidade na reciprocidade da sua relação filial.
Em Cristo, explicou o Papa, os homens têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da vida divina. “Chegamos ao pleno conhecimento de Deus ao entrarmos na relação do Filho com o seu Pai, em virtude da ação do Espírito”, afirmou.
Conhecer o Pai na relação com o Filho
Para ilustrar essa verdade, o Pontífice recordou a oração de júbilo de Jesus narrada pelo Evangelho de São Lucas, na qual o Senhor louva o Pai por revelar seus mistérios aos pequeninos: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10,21-22).
Segundo Leão XIV, é nessa dinâmica de relação que o cristão aprende a conhecer Deus como Pai. Graças a Jesus, acrescentou, o ser humano conhece Deus da mesma forma como é conhecido por Ele. Em Cristo, Deus comunica a si mesmo e revela ao homem a sua verdadeira identidade: filhos criados à imagem do Verbo, chamados à vida plena.
Somos salvos por uma Pessoa
O Papa fez questão de sublinhar que a salvação cristã não acontece apenas por vias intelectuais. “O que nos salva e nos chama não é apenas a morte e a ressurreição de Jesus, mas a sua própria pessoa”, afirmou. É toda a vida do Senhor — que se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós — que comunica a verdade de Deus.
Por isso, explicou o Pontífice, não basta considerar Jesus como um simples transmissor de verdades abstratas. A Revelação passa por seu corpo real e por sua maneira concreta de ver e viver a realidade. O próprio Cristo convida os discípulos a partilhar o seu olhar confiante sobre o mundo e sobre o cuidado amoroso do Pai.
Uma fé que gera confiança filial
Ao concluir a catequese, Leão XIV recordou que, seguindo Jesus até o fim, o cristão chega à certeza de que nada pode separá-lo do amor de Deus. Citando a Carta de São Paulo aos Romanos, afirmou:
“Se Deus é por nós, quem estará contra nós? Ele, que não poupou o seu próprio Filho, [...] como não haverá de nos conceder, juntamente com Ele, todas as coisas?” (Rm 8,31-32).
Graças a Jesus, concluiu o Papa, o cristão conhece Deus como Pai e pode entregar-se a Ele com confiança filial, sustentado pela certeza de um amor que permanece fiel em todas as circunstâncias.