Neste 20 de fevereiro, quando a Organização das Nações Unidas celebra o Dia Mundial da Justiça Social — instituído pela ONU em 2009 para promover a superação da pobreza, da exclusão e das desigualdades — a Igreja na América Latina e no Caribe reforça seu compromisso com a dignidade humana e o cuidado com a Casa Comum.
A data também possui significado especial para a Companhia de Jesus, cuja missão, desde Santo Inácio de Loyola, está ligada à promoção da justiça e à proximidade com os mais pobres. Esse compromisso ganhou novo impulso em 1969, com a criação do Secretariado da Justiça Social e Ecologia, inspirado pelo testemunho do jesuíta Pedro Arrupe, que via no contato com o sofrimento humano um chamado a imitar Cristo na proximidade aos que mais sofrem.
Igreja unida diante da crise socioambiental
Dentro desse contexto, durante o Terceiro Encontro de Plataformas, Redes Pastorais e Eclesiais, realizado em Bogotá e promovido pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), representantes eclesiais refletiram sobre os desafios socioambientais da região. O leigo Fabián Campos, diretor para a América Latina do Movimento Laudato Si', destacou a importância de fortalecer a articulação entre as redes e organismos da Igreja.
Segundo ele, uma das prioridades é unificar a voz eclesial diante da crise climática, especialmente no contexto da COP30. Um dos marcos recentes foi o documento sobre o Sul Global promovido pelo CELAM, com apoio de conferências episcopais da África e da Ásia.
O texto reforça a presença histórica da Igreja na defesa dos territórios e faz um apelo claro por justiça climática, incluindo a necessidade de transição energética e de deixar os combustíveis fósseis no subsolo. A iniciativa contou também com mensagem de apoio do Papa Leão XIV, durante a cúpula do clima, reforçando a importância da influência eclesial global.
A água como prioridade pastoral
Para 2026, a proteção da água será uma das prioridades pastorais. A proposta se conecta a iniciativas anteriores, como a cúpula da água realizada em Iquitos, e dialoga com a Temporada da Criação, celebrada de 1º de setembro a 4 de outubro.
A defesa das bacias hidrográficas, dos rios e das comunidades impactadas por modelos extrativistas exige, segundo Campos, uma ação que una espiritualidade, incidência pública e presença concreta nos territórios.
Sinodalidade e ação em rede
O encontro também reforçou a importância da sinodalidade ecológica, com maior coordenação entre redes como Igrejas e Mineração, Remam, Repam e o próprio Movimento Laudato Si’. O objetivo é consolidar estratégias comuns, fortalecer alianças e ampliar a presença da Igreja tanto nos territórios quanto nos fóruns internacionais.
Diante de um cenário geopolítico marcado por conflitos e instabilidades, Campos defendeu que a Igreja continue promovendo unidade, diálogo e multilateralismo.
Ao celebrar o Dia Mundial da Justiça Social, a reflexão proposta pelo CELAM recorda que a promoção da dignidade humana, da justiça climática e do cuidado com os mais vulneráveis não é apenas uma pauta social, mas expressão concreta do Evangelho vivido e anunciado pela Igreja.
Com informações Celam