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Liturgia, ecologia e evangelização digital marcam coletiva da Assembleia dos Bispos em Aparecida
Propostas de novos textos litúrgicos, reflexão sobre a identidade da Igreja e desafios no ambiente digital estiveram no centro do encontro com a imprensa
Por Murilo Galhardo
Publicado em 20/04/2026 13:59 • Atualizado 20/04/2026 15:24
62ª AGCNBB
62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - 2026

A 62ª Assembleia Geral da CNBB segue reunindo bispos de todo o país em Aparecida para refletir os rumos da Igreja no Brasil. Na coletiva de imprensa desta quarta-feira, o destaque foi para os trabalhos da Comissão Episcopal para a Liturgia, que apresentou propostas e reflexões que impactam diretamente a vida das comunidades.

Entre os principais pontos abordados está o formulário de missa voltado ao cuidado da criação. O texto, encaminhado pelo Vaticano, passou por um processo criterioso de tradução, revisão e análise pastoral, e agora segue para avaliação da assembleia dos bispos.
Segundo Dom Hernaldo Farias, o processo exige atenção minuciosa em todas as etapas.

“Cada palavra é profundamente estudada, buscando fidelidade ao texto original e clareza para o povo de Deus.”

A proposta prevê a possibilidade de celebração ao longo do ano, respeitando o calendário litúrgico, e reforça a preocupação da Igreja com a ecologia integral, em sintonia com os apelos do Papa Francisco. Outro tema em discussão é a mudança da data da memória de Carlo Acutis. Atualmente celebrada em 12 de outubro, a data coincide com a solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o que impede sua celebração no Brasil.

De acordo com Dom Hernaldo a, a intenção é garantir equilíbrio no calendário litúrgico.

“Precisamos encontrar uma data que permita viver com profundidade essa memória, sem prejuízo das grandes solenidades.”

A coletiva também apresentou um texto de reflexão sobre a relação entre liturgia e a vida da Igreja. Durante a explanação, Dom Herrnaldo citou o liturgista Pere Pena para destacar a importância da celebração na identidade eclesial.

“Diga-me como são tuas liturgias e eu te direi como é a tua Igreja.”

Durante o momento de perguntas, a evangelização no ambiente digital apareceu como um dos principais desafios atuais. O tema foi abordado por membros da comissão, que reconheceram a necessidade de amadurecimento nesse campo.

Dom José Belisário destacou a importância de evitar superficialidade na missão digital.

“A evangelização digital não pode ser superficial. Ela precisa conduzir ao encontro real, à comunidade e à experiência concreta de fé.”

Nesse contexto, a figura de Carlo Acutis foi lembrada como exemplo de um jovem que soube integrar fé e tecnologia, tornando-se referência para a evangelização contemporânea. Também foram citados testemunhos como o de Madre Teresa de Calcutá. Para Dom José Belisário da Silva, os santos continuam sendo referência atual para a Igreja.

“Os santos são testemunhas vivas da fé e mostram que é possível viver o Evangelho em qualquer tempo.”

Ao final da coletiva, os bispos reforçaram o convite para que fiéis e comunidades acompanhem os trabalhos da assembleia e aprofundem a vivência litúrgica, fortalecendo a unidade e a missão da Igreja no Brasil.

 

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