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Rádio Amar e Servir participa de imersão no INPE e CEMADEN e acompanha de perto os bastidores da ciência que monitora os riscos climáticos no Brasil
Durante dois dias de formação promovidos pela IRI Brasil , a Rádio Amar e Servir esteve dentro de dois dos mais importantes centros científicos do país, conhecendo de perto pesquisadores, educadores e especialistas que monitoram desastres, mudanças climáticas e impactos socioambientais que já transformam a realidade de milhões de brasileiros. A experiência uniu ciência, comunicação, educação e espiritualidade em uma imersão marcada por reflexões profundas sobre o futuro da vida no planeta
Por Murilo Galhardo
Publicado em 11/05/2026 21:25 • Atualizado 11/05/2026 22:00
Justiça Socioambiental
Participantes da 31ª Imersão promovida pela IRI Brasil durante visita ao INPE e ao CEMADEN, em uma experiência de diálogo entre ciência, comunicação e cuidado com a Casa Comum.

Foram dois dias de intensa escuta, aprendizado e contato direto com pesquisadores que trabalham diariamente no monitoramento de fenômenos climáticos extremos, prevenção de desastres e acompanhamento das transformações ambientais que atingem o Brasil e o mundo. Integrando a 31ª turma de imersão promovida pela IRI Brasil, a Rádio Amar e Servir participou de uma experiência que ultrapassou os limites de uma simples visita técnica e se transformou em um profundo mergulho sobre os desafios ambientais, sociais e humanos do nosso tempo.

A imersão aconteceu no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN, e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, instituições reconhecidas internacionalmente pelo trabalho desenvolvido no monitoramento climático, espacial e ambiental. Ao longo da programação, comunicadores, lideranças religiosas, educadores e representantes de diferentes regiões do país puderam conhecer de perto como a ciência brasileira atua no acompanhamento de secas, enchentes, queimadas, deslizamentos de terra e outros eventos extremos que têm se tornado cada vez mais frequentes nas últimas décadas.

A participação da Rádio Amar e Servir na imersão também reforça o compromisso da comunicação inaciana com as pautas ligadas à justiça socioambiental e ao cuidado com a Casa Comum. Inspirada pelo carisma da Companhia de Jesus e pela missão de “em tudo amar e servir”, a emissora vem ampliando espaços de reflexão sobre ecologia integral, mudanças climáticas, dignidade humana e proteção das populações mais vulneráveis. Nos últimos anos, a Companhia de Jesus intensificou mundialmente sua atuação em iniciativas ligadas ao cuidado ambiental, especialmente através das Preferências Apostólicas Universais, que apontam o cuidado com a Casa Comum como uma das urgências da missão inaciana no mundo contemporâneo.

Mais do que discutir meio ambiente, a proposta da imersão foi aproximar ciência, comunicação e responsabilidade social, permitindo que lideranças e comunicadores compreendam a profundidade dos impactos climáticos e levem informação qualificada para suas comunidades. Em tempos marcados pela desinformação, pela banalização das tragédias ambientais e pela superficialidade dos debates nas redes sociais, experiências como essa se tornam fundamentais para construir uma comunicação mais consciente, humana e comprometida com a verdade.

Logo no primeiro dia de atividades, o grupo foi recebido no CEMADEN, órgão responsável pelo monitoramento e emissão de alertas de desastres naturais em todo o território nacional. Na chamada sala de situação, espaço onde equipes acompanham em tempo real os riscos climáticos em diversas regiões brasileiras, os participantes puderam observar o funcionamento dos sistemas de monitoramento utilizados diariamente para identificar possibilidades de enchentes, alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e episódios extremos de seca.

Durante a visita, o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações do CEMADEN, explicou que o trabalho desenvolvido pela instituição impacta diretamente a vida de milhares de pessoas, mesmo que muitas vezes aconteça longe dos olhos da população. Segundo ele, os alertas emitidos pelo centro são encaminhados às Defesas Civis municipais, que então realizam as ações preventivas junto às comunidades em situação de risco.

“Nós enviamos alertas para a Defesa Civil dos municípios quando tem situações de inundações, enxurradas, alagamentos ou deslizamentos de terra.”

Marcelo destacou que o trabalho realizado pelo CEMADEN envolve uma atuação multidisciplinar, reunindo meteorologistas, hidrólogos, especialistas em solo e pesquisadores da área social, responsáveis também por analisar o perfil das populações que vivem nas áreas mais vulneráveis. O pesquisador explicou ainda que o aumento dos eventos climáticos extremos já é uma realidade observada pelos dados científicos e que os impactos das mudanças climáticas vêm se intensificando de maneira preocupante no Brasil.

“Nós estamos observando nas últimas décadas uma maior frequência de casos de chuvas extremas e uma maior frequência de episódios de seca.”

Ao aprofundar a análise sobre os cenários climáticos futuros, Marcelo apresentou uma reflexão que chamou a atenção dos participantes. Mesmo com a redução do volume total de chuvas em algumas regiões do país, os eventos extremos têm se tornado mais violentos, concentrados e destrutivos, ampliando o número de alertas emitidos pelo órgão nos últimos anos.

“O Brasil está secando. Mas em algumas ocasiões nós temos eventos extremos de chuva acontecendo com muito mais frequência.”

Além dos aspectos técnicos relacionados ao monitoramento climático, a imersão também aprofundou o debate sobre educação ambiental e conscientização social. Um dos momentos mais marcantes da programação aconteceu durante a conversa com a educadora ambiental Raquel Trajber, coordenadora do programa Cemaden Educação desde 2014 e uma das principais referências brasileiras na construção de estratégias educativas voltadas à prevenção de desastres.

Logo no início da entrevista, Raquel fez questão de corrigir uma expressão frequentemente utilizada pela sociedade e pela própria imprensa. Segundo ela, os acontecimentos vividos atualmente não devem ser compreendidos apenas como “desastres naturais”, mas como “desastres socioambientais”, já que envolvem diretamente desigualdade social, ocupação irregular de territórios, ausência de políticas públicas e vulnerabilidade das populações periféricas.

“Desastres naturais não. Desastres socioambientais.”


A pesquisadora destacou que os impactos climáticos atingem de maneira desigual diferentes grupos sociais e que as populações mais pobres acabam sendo também as mais expostas às tragédias ambientais. Para ela, enfrentar esses desafios exige um trabalho contínuo de educação, participação comunitária e diálogo entre ciência e saberes populares.

Ao longo da conversa, Raquel apresentou detalhes da campanha “Cidades sem Risco”, iniciativa desenvolvida pelo Cemaden Educação em parceria com o Ministério das Cidades e a Secretaria Nacional de Periferias. O projeto atua junto a escolas, comunidades periféricas, quilombolas, povos indígenas e pequenos agricultores, promovendo ações de prevenção, formação e fortalecimento comunitário em regiões vulneráveis.

Em uma das falas mais emocionantes da entrevista, a educadora refletiu sobre o papel da educação em tempos marcados pela velocidade da informação e pela dificuldade crescente de construir consciência coletiva.

“A educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo.”

A experiência também levou o grupo até o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, referência internacional em pesquisas espaciais, monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias ligadas à observação da Terra. Durante a visita, os participantes conheceram laboratórios, sistemas de rastreamento orbital e estruturas utilizadas para operação de satélites brasileiros responsáveis pelo acompanhamento de queimadas, desmatamento, mudanças climáticas e desastres ambientais.

No instituto, o pesquisador Francisco Carvalho, especialista em dinâmica orbital e operação de detritos espaciais, apresentou o trabalho desenvolvido no monitoramento dos satélites e explicou os desafios relacionados à proteção dos equipamentos contra os chamados “detritos espaciais”, fragmentos e resíduos que orbitam a Terra e representam riscos constantes às operações espaciais.

Segundo ele, os satélites brasileiros desempenham papel fundamental no monitoramento ambiental do país, permitindo registrar alterações climáticas, acompanhar tragédias ambientais e produzir dados que auxiliam instituições de pesquisa e órgãos públicos.

“Quanto mais satélites a gente tivesse, seria melhor.”

Francisco também destacou a importância das imagens espaciais produzidas pelo INPE durante grandes tragédias ambientais, lembrando que o instituto registrou imagens históricas de episódios como os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, além de colaborar internacionalmente no compartilhamento de imagens de áreas afetadas por desastres ao redor do mundo.

“A gente não consegue prever desastre, mas consegue verificar o que aconteceu e ajudar no monitoramento.”

Ao final dos dois dias de imersão, ficou evidente que as mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação distante para se tornarem uma realidade concreta que já impacta cidades, comunidades periféricas, agricultores, povos tradicionais e milhões de famílias brasileiras. Entre alertas meteorológicos, imagens de satélite, educação ambiental e reflexões sobre justiça social, a experiência vivida pela Rádio Amar e Servir revelou a urgência de construir uma sociedade mais consciente, preparada e comprometida com o cuidado da vida.

A presença da emissora nesta imersão também reafirma o papel da comunicação como instrumento de transformação social. Em um tempo marcado pela desinformação e pela superficialidade dos debates públicos, produzir conteúdo sério, aprofundado e comprometido com a dignidade humana se torna uma missão cada vez mais necessária.

Mais do que acompanhar uma agenda institucional, a Rádio Amar e Servir testemunhou de perto homens e mulheres dedicando suas vidas ao monitoramento de riscos, à prevenção de tragédias e à construção de caminhos possíveis para proteger a Casa Comum e as futuras gerações.

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